Irão: Estreito de Ormuz terá cerca de 80 minas
Esta informação é provisória e está a ser feita uma investigação, na sequência do acordo entre o Irão e os Estados Unidos.
A Organização Marítima Internacional estimou esta sexta-feira que existam cerca de 80 minas navais nas águas do estreito de Ormuz, alertando que terão de ser removidas antes de ser restabelecido o tráfego normal de navios.
"A informação que recebi é que, no âmbito do esquema de separação de tráfego existente, que foi estabelecido pela OMI em 1968, há uma presença de minas que poderá rondar as 80", adiantou o secretário-geral da organização, Arsenio Dominguez, durante uma conferência de imprensa realizada hoje por videoconferência.
O responsável vincou que esta informação é provisória enquanto está a ser feita uma investigação, na sequência do acordo entre o Irão e os Estados Unidos.
"O Irão concordou em desminar a área", recordou Dominguez, que acrescentou que "outros países, como o Reino Unido, a França e os Estados Unidos, estão prontos para disponibilizar meios para realizar uma verificação de qualquer desminagem adicional que seja necessária".
"Assim que tivermos essa área limpa, é aí que tencionamos retomar as operações no Estreito de Ormuz, utilizando o esquema de separação de tráfego", explicou.
O secretário-geral da OMI falava durante uma conferência de imprensa onde confirmou estar em contacto com as autoridades iranianas para esclarecer as circunstâncias de um ataque a um cargueiro ao largo de Omã na quinta-feira.
O incidente levou à suspensão temporária do plano de retirada de navios do estreito de Ormuz, iniciado na terça-feira, mas o tráfego, entretanto, voltou.
"As informações mais recentes de que disponho, datadas desta manhã e que ainda preciso de verificar na íntegra, indicam que foram registadas quatro embarcações a transitar pelo corredor norte e 11 embarcações a transitar pelo corredor sul", adiantou hoje Dominguez.
Desde o início do plano de evacuação da OMI, transitaram 115 navios com cerca de 2.500 marinheiros de um total de 600 navios e 11 mil tripulantes identificados na terça-feira como permanecendo retidos na região.
Este plano inclui, entre outras medidas, a comunicação individual com os navios para coordenar gradualmente a passagem no Estreito por duas rotas, uma junto à costa iraniana, no norte, e outra junto à costa de Omã, no sul.
Estados Unidos e Irão assinaram na semana passada um memorando de entendimento para suspender de imediato o conflito, iniciado em 28 de fevereiro por uma ofensiva israelo-americana contra a República Islâmica.
Ao abrigo do memorando, as partes têm 60 dias desde a assinatura para negociar um acordo de paz definitivo, incluindo o futuro do estreito de Ormuz, sujeito a bloqueio iraniano durante os meses da guerra, afetando 20% do comércio mundial de produtos petrolíferos e o programa nuclear de Teerão.
Em troca, o Irão recebe o levantamento de sanções e a libertação de fundos congelados no exterior, bem como a criação de um fundo de 300 mil milhões de dólares (260 mil milhões de euros) para a reconstrução do país.