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Henry Nowak: o caso que está a abalar o Reino Unido

Sofia Parissi 03 de junho de 2026 às 15:23

Henry foi assassinado em Southampton. Tribunal condenou homicida, mas atuação da polícia (que não prestou auxílio a Henry) está a ser questionada depois de serem divulgados vídeos daquela noite.

Um caso que envolve o assassinato de um estudante britânico de 18 anos, Henry Nowak, voltou a gerar debate no Reino Unido, após ter sido proferida a sentença, a 1 de junho, pelo Tribunal Criminal de Southampton, no Reino Unido. Vickrum Digwa, de 23 anos, foi considerado culpado pelo homicídio de Nowak e condenado a prisão perpétua, com pena mínima de 20 anos.

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A família do jovem autorizou a divulgação das imagens filmadas com as câmaras corporais dos agentes da polícia, e de acordo com a estação de televisão britânica , o jovem de 18 anos terá avisado várias vezes que não conseguia respirar na noite em que acabou por morrer. Algumas figuras políticas do Reino Unido compararam a morte de Nowak ao caso de George Floyd. Robert Jenrick, do partido Reform, afirmou, em declarações a: "Se compararmos com, digamos, o caso de George Floyd, em que o primeiro-ministro se ajoelhou, verifica-se um silêncio surpreendente em relação a esta questão".

O caso remonta a dezembro de 2025 e aconteceu na cidade inglesa de Southampton, quando Henry estava de regresso a casa após uma saída à noite. Vickrum Digwa, de 23 anos, esfaqueou o jovem com uma faca com cerca 21 centímetros, que disse tratar-se de um objeto que pertence à religão sikh, o kirpan [faca de lâminca curva que os sikhs usam como parte da sua devoção religiosa]. "O tribunal ouviu que Henry, de 18 anos, sofreu uma hemorragia interna grave devido a um ferimento no peito que tinha sido difícil de localizar, tendo infelizmente sido declarado morto no local", informou a polícia local .

As autoridades explicam ainda que Digwa não chamou de imediato uma ambulância e filmou Henry deitado no chão. Quando a polícia chegou ao local o agressor alegou que tinha sido vítima do jovem de 18, acusando-o de racismo. A polícia acabou por algemar Henry, que morreu nessa mesma noite no local. As imagens divulgadas pela polícia mostram que Henry informou os agentes que tinha sido esfaqueado, mas os pedidos de ajuda foram ignorados. De acordo com os meios de comunicação locais, está neste momento a decorrer uma investigação sobre as ações das autoridades nesse dia e o tribunal também considerou que Digwa mentiu.

A frase "I can't breathe" ("Não consigo respirar", em tradução para português) ficou associada ao movimento Black Lives Matter, que nasceu na sequência do caso de George Floyd, um homem afro-americano que morreu por asfixia em Minneapolis, nos EUA, em maio de 2020, depois do polícia norte-americano Derek Chauvin se ter ajoelhado no seu pescoço durante nove minutos.

Mark Nowak, pai de Henry, afirmou, citado pela BBC: "O Henry disse aos agentes nove vezes que não conseguia respirar. Disse-lhes que tinha sido esfaqueado quatro vezes." 

Esta terça-feira, 2 de junho, a Secretária de Estado para Assuntos Internos do Reino Unido, Shabana Mahmood, sobre o caso: "Digwa assassinou Henry e, depois, mentiu sobre ele, enquanto este agonizava, acusando-o falsamente de racismo. Foi um ato hediondo e sei que os pensamentos de toda a Câmara estarão agora com a família e os amigos de Henry, tal como os meus". E acrescentou: "Presumo que muitos nesta assembleia e muitos mais em todo o país já tenham visto as imagens da câmara corporal do agente da polícia, divulgadas ontem à noite. É, sem dúvida, algo perturbador e trágico de se ver". O departamento da polícia do condado de Hampshire pediu desculpa pelo sucedido.

O julgamento começou no mês passado e o caso está a gerar debate, com figuras políticas a posicionar-se publicamente. Citado pelo The Guardian, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, classificou as imagens das câmeras corporais como "angustiantes" e disse que se sentiu "enjoado" ao vê-las.

Por outro lado, o líder do partido de direita Reform UK, Nigel Farage, afirmou nas redes sociais que a reação ao caso deveria gerar "raiva" e acrescentou: "O medo de ser chamado de racista era maior do que lidar com o assassinato de Henry Nowak". Questionado sobre estas declarações, Starmer, afirmou: "Começo a minha resposta à sua pergunta do ponto de vista da família. Eles afirmaram que não querem que isto seja amplificado. Passaram por uma experiência extraordinária e terrível. Não querem que isto seja amplificado, e Nigel Farage está completamente errado ao usar isto para tentar criar divisão".

Na passada quinta-feira, 28 de maio, a polícia britância pediu desculpa por ter algemado o jovem. "Quero pedir desculpa e dizer que lamento que Henry não tenha podido ser salvo naquela noite. Lamento que tenha sido algemado e preso nos momentos que antecederam a perda de consciência", afirmou o vice-chefe da polícia de Hampshire, Robert France, após o veredito de culpabilidade.

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