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Ex-diretor da CIA diz que Trump é "ingénuo": "Irão mantém a 'arma' Estreito de Ormuz apontada à sua cabeça"

Isabel Dantas 22 de março de 2026 às 15:40

Leon Panetta, que trabalhou com Bill Clinton e Barack Obama, não tem dúvidas de que o atual presidente está numa encruzilhada.

Leon Panetta garante, em declarações ao jornal inglês 'The Guardian', que Donald Trump está entre a espada e a parede no que toca à guerra no Irão. O ex-diretor da CIA, que foi também secretário de Estado da Defesa, tendo trabalhado nas administrações de Bill Clinton e Barack Obama, acusa o atual presidente dos Estados Unidos de ter sido "ingénuo" no que diz respeito ao Estreito de Ormuz.

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Donald Trump com o secretário de Estado Marco Rubio em segundo plano
Foto: AP
Leon Panetta, ex-secretário de Estado da Defesa dos EUA
Foto: AP

"Ele tende a ser ingénuo sobre a forma como as coisas podem acontecer", referiu Panetta, que supervisionou a operação para encontrar e matar Osama bin Laden, em 2011. "Se continua a repetir sempre a mesma coisa, há sempre a esperança de que o que ele diz se tornar realidade. Mas isso é coisa de crianças, não de um presidente."

Panetta não tem dúvidas de que esta crise energética mundial foi criada por Trump. “Não é preciso ser um génio para compreender que, se se vai entrar em guerra com o Irão, uma das grandes vulnerabilidades é o Estreito de Ormuz, e [isso] poderá criar uma imensa crise petrolífera que poderá elevar o preço dos combustíveis para níveis estratosféricos. Em todos os conselhos de segurança nacional em que participei, quando discutíamos o Irão esse assunto era sempre colocado em cima da mesa. Por alguma razão não consideraram agora que isto pudesse ser uma consequência, ou pensaram que a guerra terminaria rapidamente e que não teriam de se preocupar com o Estreito de Ormuz.”

Agora Trump está numa encruzilhada, visto que não estava preparado para esta resposta dos iranianos e está "a pagar o preço". Mesmo que venha a declarar vitória, dizendo que atingiu todos os objetivos militares, de pouco ou nada lhe valerá "se não conseguir o cessar-fogo". "E não vai conseguir um cessar-fogo enquanto o Irão mantiver a arma do Estreito de Ormuz apontada à sua cabeça", sublinha o ex-diretor da CIA.

A mudança do líder supremo no Irão também não foi, segundo o antigo secretário de Estado da Defesa, um êxito. "Substituímos um senhor idoso, um líder supremo que estava à beira da morte numa altura em que o povo iraniano estava disposto a sair à rua na esperança de que, finalmente, pudesse mudar a sua forma de governo. E, em vez disso, hoje temos um regime mais entrincheirado, temos um líder supremo mais jovem, que vai ficar lá durante muito tempo e é muito mais linha-dura do que o pai. Isto não acabou muito bem."

Penetta criticou também a forma como Donald Trump lidou com os aliados, apelidando-os de "cobardes". "Se estás a planear uma guerra, não é má ideia falares com os teus aliados. As alianças são importantes para poder apoiar qualquer tipo de esforço militar. Aprendemos essa lição desde a Segunda Guerra Mundial. Mas ele [Trump] adota uma abordagem insensível em relação às alianças e agora, de repente, vê-se numa situação em que precisa de recorrer aos aliados, à NATO e a outros que não tratou bem durante a sua liderança, para tentar salvar-se."

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