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EUA testam princípios europeus mas UE vai rejeitar qualquer coerção, afirma António Costa

Lusa 21 de janeiro de 2026 às 10:50

António Costa admitiu também “um interesse transatlântico comum na paz e na segurança no Ártico, nomeadamente através do trabalho no âmbito da NATO”.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, considerou esta quarta-feira que os princípios e a proteção da União Europeia (UE) “estão a ser postos à prova” pelos Estados Unidos, mas prometeu resposta a “qualquer forma coerção” sobre a Gronelândia.
António Costa AP
“Considerados em conjunto, os desafios geopolíticos que a Europa enfrenta parecem, por vezes, avassaladores […], mas a UE sairá desta situação mais forte, mais resiliente e mais soberana. Para que isso aconteça, a nossa resposta deve ter três componentes: uma Europa de princípios, uma Europa de proteção e uma Europa de prosperidade – três dimensões [que] estão a ser postas à prova no momento atual das relações transatlânticas”, disse António Costa, intervindo num debate no Parlamento Europeu. O antigo primeiro-ministro português vincou que a UE “está pronta para se defender […] contra qualquer forma de coerção” e tem “o poder e os instrumentos para o fazer”. Nas declarações na cidade francesa de Estrasburgo, António Costa justificou que foi devido ao contexto de ameaças norte-americanas relativas à Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca, que decidiu convocar para esta quinta-feira uma reunião extraordinária do Conselho Europeu sobre as relações transatlânticas.
“Tendo ouvido os Estados-membros na preparação desta reunião, acredito que alguns elementos fundamentais são amplamente partilhados”, entre os quais o “apoio e solidariedade totais com o Reino da Dinamarca e com a Gronelândia” e o facto de que “apenas eles podem decidir sobre o seu futuro”. António Costa admitiu também “um interesse transatlântico comum na paz e na segurança no Ártico, nomeadamente através do trabalho no âmbito da NATO”, mas vincou que “novas tarifas prejudicariam as relações transatlânticas e são incompatíveis com o acordo comercial UE-EUA”. “Queremos continuar a envolver-nos de forma construtiva com os Estados Unidos em todas as questões de interesse comum - e são muitas, uma vez que somos parceiros e aliados e partilhamos uma comunidade transatlântica”-, mas “não podemos aceitar que a lei do mais forte prevaleça sobre os direitos do mais fraco porque as regras internacionais não são opcionais e as alianças não podem reduzir-se apenas a uma sucessão de transações”, adiantou o presidente do Conselho Europeu.
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