Trump planeia ficar dois dias no fórum internacional em Davos, depois de ameaçar aplicar tarifas à Dinamarca e a outros sete aliados, a menos que negociem a transferência para a soberania norte-americana do território semiautónomo.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retomou a viagem para a Suíça, onde participará hoje no Fórum Económico Mundial de Davos, depois do avião presidencial, em que seguia inicialmente ser forçado a regressar a Washington.
Donald TrumpAP Photo/Mark Schiefelbein, File
Trump viaja para a estância de esqui suíça com a ambição de tirar o controlo da Gronelândia da Dinamarca, aliada da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), uma intenção que ameaça prejudicar as relações com os aliados europeus e ofuscar o plano original da Casa Branca de usar a presença do chefe de Estado norte-americano no encontro das elites globais para abordar questões de acessibilidade financeira no seu país.
Trump planeia ficar dois dias no fórum internacional em Davos, depois de ameaçar aplicar tarifas à Dinamarca e a outros sete aliados, a menos que negociem a transferência para a soberania norte-americana do território semiautónomo — uma concessão que os líderes europeus indicaram não estar dispostos a fazer.
Trump disse que as tarifas começariam em 10% no próximo mês e subiriam para 25% em junho, taxas que seriam altas o suficiente para aumentar os custos e desacelerar o crescimento, prejudicando potencialmente os esforços para conter a subida do custo de vida nos Estados Unidos.
"Esta será uma viagem interessante", disse Trump aos jornalistas ao deixar a Casa Branca na terça-feira à noite para o seu voo para Davos. "Não tenho ideia do que vai acontecer, mas vocês estão bem representados", acrescentou.
A viagem de Trump teve um início difícil, originado por um "pequeno problema elétrico" no avião, levando a tripulação a fazer meia-volta, cerca de 30 minutos após a descolagem, por precaução, e atrasando a chegada à Suíça do Presidente, que embarcou num segundo aparelho.
Os mercados reagiram negativamente às novas tensões entre a Casa Branca e os aliados europeus. Em Wall Street, o índice S&P 500 caiu 2,1%, a maior queda desde outubro. O Dow Jones Industrial Average caiu 1,8%. O Nasdaq Composite caiu 2,4%.
"É claro que estamos a chegar a um momento de instabilidade, de desequilíbrios, tanto do ponto de vista da segurança e da defesa, como do ponto de vista económico", afirmou o Presidente francês, Emmanuel Macron, num discurso no fórum. Macron não se referiu diretamente a Trump, mas exortou os outros líderes a rejeitarem a "lei do mais forte".
Entretanto, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu que a resposta do bloco, caso Trump avance com as tarifas, "será firme, unida e proporcional", sugerindo que a nova ameaça tarifária de Trump também poderá prejudicar o acordo comercial entre os Estados Unidos e a União Europeia alcançado no último verão.
"A União Europeia e os Estados Unidos chegaram a um acordo comercial em julho passado", disse von der Leyen em Davos. "E na política, assim como nos negócios, um acordo é um acordo. E quando amigos apertam as mãos, isso deve significar alguma coisa", disse.
A ameaça de Trump de aplicar tarifas a vários países europeus relacionadas com a Gronelândia pode perturbar a economia dos Estados Unidos, se acabar com a trégua comercial alcançada no ano passado entre os Estados Unidos e a UE, disse o vice-presidente para as questões económicas do grupo de reflexão Cato Institute, Scott Lincicome, em declarações à agência de notícias Associated Press.
Trump alertou a Europa na terça-feira contra ações retaliatórias pelas novas tarifas que ameaça impor.
"Qualquer coisa que eles fizerem contra nós, eu simplesmente vou responder", disse em declarações no programa "Katie Pavlich Tonight", da NewsNation. "Tudo o que tenho de fazer é responder, e isso vai ricochetear para trás", acrescentou.
A Casa Branca disse ainda que Trump planeia reunir-se com líderes à margem do fórum para constituir um "Conselho da Paz", um novo órgão destinado a supervisionar o fim da guerra entre Israel e o movimento fundamentalista palestiniano Hamas na Faixa de Gaza e, possivelmente, assumir um mandato mais amplo, potencialmente rivalizando com as Nações Unidas.
Até agora, menos de dez líderes aceitaram convites para se juntar ao grupo, incluindo alguns considerados autoritários antidemocráticos. Vários dos principais parceiros europeus dos Estados Unidos recusaram ou não se comprometeram com a ideia de Trump, incluindo o Reino Unido, a França e a Alemanha.
Na terça-feira, o Presidente norte-americano disse aos jornalistas que o "Conselho da Paz" pode eventualmente tornar a ONU obsoleta, mas insistiu que o órgão internacional deve continuar a existir.
"Acredito que devemos deixar a ONU continuar, porque o potencial é muito grande", disse.
Para poder adicionar esta notícia aos seus favoritos deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.
Para poder votar newste inquérito deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.