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Do neto do assaltante ao autarca que não é deputado: ingleses apontam 6 candidatos a suceder Keir Starmer

Gabriela Ângelo 13 de maio de 2026 às 13:34

Primeiro-ministro britânico está sob forte contestação interna no Partido Trabalhista, que se agudizou depois das recentes eleições locais.

O futuro do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, está por um fio, mercê de uma onda de contestação interna nos Trabalhistas devido ao resultado das eleições locais em Inglaterra, com o partido a perder cerca de 1.500 vereadores e vinte deputados no parlamento do País de Gales.

Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido AP

Até então pelo menos 80 deputados trabalhistas já exortaram o primeiro-ministro a demitir-se e, apesar de Starmer ter afirmado que iria “continuar a governar” e que não ia desistir, internamente têm surgido algumas figuras que têm sido apontadas à liderança do país, segundo relatam os

Qualquer deputado trabalhista que queira candidatar-se e dar início ao processo de eleições primárias precisa da assinatura de 20% do grupo parlamentar. Atualmente este número equivale a 81 deputados.

Wes Streeting, ministro da Saúde do Reino Unido AP

Wes Streeting

O ministro da Saúde, Wes Streeting, de 43 anos, entrou no Parlamento no mesmo ano que Starmer, em 2015. É considerado, segundo a BBC, o melhor comunicador do governo e uma das suas conquistas tem sido a redução dos tempos de espera no Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, sigla em inglês). 

De origens humildes, Streeting foi criado numa habitação social num bairro no Leste de Londres e teve a uma infância marcada por visitas ao avô, um assaltante de bancos, na prisão. Também teve uma educação profundamente cristã e assumiu-se como homossexual, tendo de lutar arduamente contra a repressão em que vivia. 

Os meios de comunicação britânicos notam uma forte ambição e sentimento de liderança, podendo contar com o apoio dos deputados mais conservadores dentro do Partido Trabalhista. Entre alguns dos aliados internos estão o ministro da Economia, Peter Kyle, e a ministra da Ciência, Liz Kendall. 

Andy Burnham, presidente da Câmara de Manchester AP

Andy Burnham

Andy Burnham, de 56 anos, é o atual presidente da Câmara de Manchester, é o potencial candidato mais popular, segundo sondagens, e conta com forte apoio dos deputados trabalhistas. Contudo há um obstáculo: não é deputado. 

Candidatou-se para liderar os bairros de Gorton e Denton pelo Partido Trabalhista no início do ano, mas foi impedido pelos aliados de Starmer. Mas, se regressar ao parlamento, não será a primeira vez. Entre 2001 e 2017 foi deputado pela cidade de Leigh, ocupando cargos no ministério da Saúde e da Cultura. 

Também já concorreu duas vezes à liderança do partido, a primeira em 2010, quando perdeu para Ed Miliband, e novamente em 2016, quando ficou em segundo lugar, atrás de Jeremy Corbyn. 

Angela Rayner, antiga vice-primeira-ministra AP

Angela Rayner

Angela Rayner, de 46 anos, foi até ao ano passado vice-primeira-ministra e ministra responsável pelo Trabalho e as Comunidades Locais. Mas um problema com as finanças, relacionado com o pagamento de impostos de uma segunda habitação, acabou por levar à sua demissão em setembro de 2025.

Tem sido apoiada pelos sindicatos e pela ala moderada e da esquerda do Partido Trabalhista. De origens humildes, foi mãe aos 16 anos, idade com a qual abandonou a escola, e avó aos 37. Através do trabalho como assistente social, associou-se ao sindicato Unison, uma alavanca para a carreira política. 

Em 2015 foi eleita pelo círculo de Ashton-under-Lyne, em Manchester, e chegou ao Parlamento. Enquanto ministra, recebeu a missão de aumentar a construção de habitação e uma reforma dos direitos dos arrendatários. 

Os restantes

Perante as dúvidas sobre a possibilidade de Streeting, Burnham ou Rayner se candidatarem, pelo menos outros três candidatos da ala moderada da esquerda também podem suceder a Keir Starmer. 

Segundo a BBC, alguns deputados trabalhistas já discutiram o regresso do antigo líder do partido e atual ministro da Energia, Ed Miliband, de 56 anos. Foi eleito líder em 2015, altura em que sofreu uma derrota estrondosa nas eleições gerais. Contudo, em novembro do ano passado rejeitou esta hipótese, afirmando que já passou “por isto, o capítulo está encerrado”. 

Shabana Mahood, a ministra do Interior, de 45 anos, também tem sido mencionada como possível candidata. Mas a sua ideologia de uma política migratória rígida tem sido polémica dentro do Partido Trabalhista, pelo que poderá ter dificuldade em obter apoio de certos membros. 

Por fim surge a ministra dos Negócios Estrangeiros, Yvette Cooper, de 57 anos. A sua passagem anterior pelo ministério do Interior não foi, contudo, bem sucedida e é a possível candidata com menos apoio. 

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