Com cada vez menos concorrência, Burnham já planeia próximo governo
Darren Jones não será adversário de Burnham na corrida à liderança do Partido Trabalhista. O próximo governo deverá integrar figuras que se esperavam fazer concorrência a Burnham.
Andy Burnham parece ter o caminho livre para a liderança do Partido Trabalhista. Darren Jones, aliado de Keir Starmer e um dos nomes que poderia competir com Burnham, garantiu que não seria um obstáculo. Por agora, apenas Al Carns, ex-secretário de Estado das Forças Armadas, afirmou ponderar fazer frente ao “rei do Norte”, como Burnham era conhecido em Manchester.
Darren Jones confirmou à Sky News que não vai avançar com uma candidatura e adiantou que uma conversa com Burnham sobre a sua visão para a política económica do país o tranquilizou. Já Al Carns, que se demitiu do governo de Starmer, não afastou uma possível candidatura. Em declarações à GBNews, afirmou estar indeciso, precisando de conhecer a visão de Burnham antes de tomar uma decisão.
Segundo a imprensa britânica, Burnham já está a preparar o seu executivo, para substituir o de Keir Starmer depois de este ter renunciado, e estão incluídos vários dos nomes que surgiram como potenciais adversários. O ex-ministro da Saúde, Wes Streeting, o primeiro a demitir-se durante a onda de críticas a Starmer, era um dos nomes mais falados para suceder ao primeiro-ministro cessante, mas já afastou essa possibilidade. Especula-se que deverá integrar o próximo governo. A ex-vice-primeira-ministra, Angela Rayner, também deverá voltar.
O atual ministro da Energia e antigo líder do partido, Ed Miliband, poderá assumir a pasta das Finanças, substituindo Rachel Reeves, que deverá passar para outro cargo. A ministra do Interior, Shabana Mahmood, deverá manter-se no cargo, dadas as políticas sucedidas na diminuição da imigração.
Também o próprio Starmer já declarou interesse em integrar o próximo executivo enquanto deputado na Câmara dos Comuns. Desse modo, evita umas eleições antecipadas no círculo de Holborn e St. Pancras, pelo qual foi eleito.
A imprensa britânica adianta que o chefe de gabinete já estará escolhido: James Purnell, antigo ministro do Trabalho e das Pensões do governo de Tony Blair, que se demitiu em 2009 no governo de Gordon Brown. Purnell e Burnham foram colegas enquanto deputados e chegaram a partilhar gabinete. Um nome que se deverá manter é o de Yvette Cooper, atualmente chefe da diplomacia, embora não seja claro se continuará no mesmo lugar.
Burnham estará ainda a planear uma descentralização do governo através da relocalização de uma parte das operações para Manchester. O Financial Times avança que essa será uma das novidades que fará parte do primeiro discurso político de Burnham desde que anunciou a candidatura, na próxima semana.
A formalização das candidaturas decorrerá entre 9 e 16 de julho e, se Burnham se mantiver candidato único, poderá assumir o cargo de primeiro-ministro e líder do Partido Trabalhista logo no dia 17.
Com Débora Calheiros Lourenço