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Chanceler alemão diz que “não aconselharia” os filhos a estudar ou trabalhar nos EUA

Gabriela Ângelo 16 de maio de 2026 às 20:08

Num momento de instabilidade política e crescimento de um "clima social polarizado", o líder alemão desaconselhou os jovens de seguirem um futuro profissional e académico nos EUA.

Friedrich Merz, o chanceler alemão, afirmou que não aconselharia os filhos a irem estudar ou trabalhar para os Estados Unidos, dado o clima político atual vigente no país. Discursando numa conferência de jovens católicos, o líder germânico disse que já não considera os EUA a terra das oportunidades. 

Friedrich Merz, chanceler alemão Ebrahim Noroozi/AP

“Sou um grande admirador da América, mas neste momento a minha admiração não está a crescer”, admitiu, referindo um clima social profundamente polarizado. “Não aconselharia os meus filhos a irem para os EUA, a estudarem ou a trabalharem lá, porque de repente desenvolveu-se um certo clima social”, reforçou. 

Merz, de 70 anos e pai de três filhos, acrescentou ainda que hoje em dia “até as pessoas mais bem qualificadas na América estão a ter muita dificuldade em encontrar emprego”.

Segundo o jornal britânico, as declarações resultaram numa reação forte por parte do antigo conselheiro de política externa e embaixador na Alemanha durante o primeiro mandato de Donald Trump, Richard Grenell. Na rede social X, antigo Twitter, afirmou que o chanceler se tinha tornado presidente europeu da sociedade TDS, referindo-se ao Trump Derangement Syndrome, ou síndrome de perturbação por Trump em português. 

“Os alemães têm um líder que não tem estratégia e que está a ser completamente controlado pela imprensa woke alemã”, acrescentou. 


Também a líder do partido de extrema-direita alemão, Alternative für Deutschland, Alice Weidel, comentou as declarações do líder germânico. “Merz desaconselha viajar para os EUA devido ao ‘clima político’. Ironicamente, é um chanceler que está deliberadamente a levar o seu próprio país à ruína social e económica, que agora aponta o dedo em aviso”, escreveu nas redes sociais. 

No final do mês passado, o chanceler também surpreendeu na Alemanha e nos EUA com comentários semelhantes, ao afirmar que os americanos estavam a ser “humilhados” pelo Irão noatual conflito. Dias depois, Washington anunciou a retirada de tropas da Alemanha e aumentos de tarifas sobre carros importados da UE, um setor crucial na economia alemã.

Contudo, esta sexta-feira Merz publicou no X que tinha falado com Donald Trump por telefone, enquanto o líder norte-americano regressava da China, e que tinham abordado o conflito no Irão, a Ucrânia e a próxima cimeira da NATO em Ancara. “Os EUA e a Alemanha são parceiros fortes numa NATO forte”, afirmou.

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