“Chegas ao topo do Evereste e pensas: e agora como desço daqui?”

“Chegas ao topo do Evereste e pensas: e agora como desço daqui?”
Vanda Marques 07 de novembro

Explorador norueguês, Erling Kagge bateu vários recordes – um deles foi ser o primeiro a ir sozinho e a pé ao Polo Sul –, mas diz que não é viciado em adrenalina: prefere inspirar os seus leitores a desafiarem-se.

Acordar e saltar da cama é das ações mais difíceis por que passamos todos os dias. Agora imagine-se numa tenda, no Polo Norte, com temperaturas de 50 graus negativos: que vontade teria de sair? Erling Kagge, escritor e explorador norueguês, diz que esse desafio é igualmente difícil num apartamento em Oslo ou nos polos. “É uma luta sairmos daquele saco-cama e logo a seguir sentirmo-nos como se tivéssemos sido enterrados no gelo até ao pescoço”, conta no livro Filosofia para Exploradores Polares (Quetzal, 2020). Erling Kagge confessa que nem tinha combustível suficiente para aquecer a tenda, nem levava roupa interior extra – resultado: não mudou de roupa durante 63 dias. Desafios e dificuldades de que fala com tranquilidade. Esteve à beira da morte? “Não”, responde relaxado à SÁBADO. “Enquanto estás vivo há uma possibilidade de qualquer coisa acontecer.”

No currículo não lhe faltam desafios que testaram essa forma de pensar: foi o primeiro homem a atingir os três polos a pé – Norte, Sul e o Pico Evereste. Ao Polo Sul foi sozinho, sem apoio exterior ou qualquer tipo de comunicação. Já visitou mais de 100 países, lutou com ursos polares, esteve num naufrágio ao largo dos Açores e caiu numa crevasse, uma fissura glaciar provocada pelo movimento do gelo. Confessa que não sente pressão para bater recordes, quer apenas inspirar as pessoas com os seus livros a estarem mais perto da natureza e desafiarem-se. “Todos nascermos exploradores.”

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