Teixeira dos Santos: "A mim também me custa encaixar as peças" do assalto ao BCP

Lusa 19 de junho de 2019
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O antigo ministro das Finanças de José Sócrates referiu que o primeiro pedido de empréstimo de Joe Berardo aconteceu meio ano antes da crise no banco privado.

O ex-ministro das Finanças Fernando Teixeira dos Santos confessou hoje que lhe "custa encaixar as peças" de uma tese de ação concertada para tomar conta do BCP, em 2007.

"A mim também me custa encaixar as peças numa tese dessa natureza", disse Teixeira dos Santos referindo-se a uma eventual ação concertada de vários acionistas para tomar conta do BCP.

O ex-ministro das Finanças do Governo de José Sócrates (PS), que falava na sua audição na segunda comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD), referiu que o pedido do primeiro empréstimo de José Berardo, no valor de 350 milhões de euros para aquisição de ações, teve origem no final de 2006, e que a crise no banco privado teve lugar no verão do ano seguinte.

"Como ministro, apercebia-me do que se passava no BCP porventura como outras pessoas que veem o que se passa pela comunicação social", afirmou o atual presidente do banco EuroBic, referindo-se aos vários pedidos de obtenção de participação qualificada de vários acionistas do BCP em 2007.

O ex-governante disse que era do seu conhecimento que "havia operações" de tomada de posição acionista no BCP, mas não que se tratava "de uma ação concertada, se é que a havia".

Teixeira dos Santos explicou que o seu ministério "só teria de se preocupar e intervir a partir do momento em que o Banco de Portugal comunicasse alegando que estava em causa a estabilidade do sistema financeiro", o que não sucedeu.

"O Ministério das Finanças nunca teve de ter preocupações especiais com o BCP, porque elas estariam a ser acompanhadas por quem deveria, no caso, o Banco de Portugal", declarou o ex-ministro.

Questionado pelo deputado do PS Fernando Rocha Andrade se alguma vez alguma fação na luta pelo poder do BCP pediu apoio ao Governo, Teixeira dos Santos negou, revelando que apenas recebeu uma vez Filipe Pinhal, então presidente interino do banco privado, na véspera de apresentar a candidatura à liderança da instituição.

Posteriormente, Teixeira dos Santos acrescentou que recebeu Carlos Santos Ferreira "depois do Natal de 2007", para o gestor lhe dar conhecimento da sua saída da CGD e ida para o BCP, juntamente com outros administradores, incluindo Armando Vara.
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