A CMVM diz querer apresentar o documento ainda este ano, mas não adianta qualquer prazo. O objetivo é aproveitar "todo o potencial" da recomendação feita pela Comissão Europeia.
A conta de poupança
e de investimento individual, recomendada pela Comissão Europeia, vai dar um
novo passo em Portugal. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) tem
uma proposta em “estado adiantado” que se prepara para apresentar ao Governo,
segundo anunciou esta quarta-feira o presidente Luís Laginha de Sousa. Apesar
de não ter um prazo definido, este é um dos objetivos da CMVM para este ano.
Luís Laginha de Sousa, presidente da CMVM, apresenta comparador de fundos PPR
“Sabemos que não existem
balas de prata, mas pensando nas soluções que podem, se adequadamente definidas
e implementadas dar um maior contributo estrutural para endereçar desafios que
nós temos e para os quais o mercado de capitais pode contribuir, pensamos que a
conta pode ter um papel muito relevante”, afirmou Laginha de Sousa, num
encontro com jornalistas.
O supervisor do
mercado de capitais tinha-se proposto, em 2024, a estudar a possibilidade do
lançamento de uma conta de serviços mínimos para os investidores. O líder explica
agora que esse trabalho chegou a avançar e o mercado foi auscultado. Contudo,
acabou por recuar face ao projeto que se desenhava a nível europeu e que acabaria
por ficar sob a alçada da comissária portuguesa Maria Luís Albuquerque.
A ideia da CMVM é explorar todo o potencial da recomendação da Comissão Europeia sobre este tipo de contas.José Miguel Almeida, administrador da CMVM
Em outubro do ano passado, a Comissão Europeia apresentou uma proposta de
criação de contas de poupança e de investimento individual (SIA, na sigla em
inglês), no âmbito da União da Poupança e dos Investimentos. A ideia é que estes
produtos sejam uma alternativa aos tradicionais depósitos a prazo com baixos
retornos e que as contas sejam flexíveis, com benefícios fiscais e focadas em
investimentos dentro da UE.
Sem querer adiantar o conteúdo do documento que será entregue ao Governo PSD
– cujo programa eleitoral continha já uma proposta no sentido de um projeto
deste género –, o membro do conselho de administração da CMVM, José Miguel Almeida
explicou que “a ideia da CMVM é explorar todo o potencial da recomendação da Comissão
Europeia sobre este tipo de contas”.
Bruxelas defende, por exemplo, incentivos fiscais e processos simplificados,
bem como um travão a custos como as comissões, nomeadamente na transferência de
portefólio entre instituições financeiras. É ainda aconselhado que os ativos
abrangidos sejam alargados.
“Procuraremos tirar
todo o partido da recomendação. A importância da simplicidade é que, quanto
mais complexa for esta conta, mais custos terá”, advertiu José Miguel Almeida. “O
sucesso de qualquer instrumento financeiro beneficia de ser atrativo para quem
o vai comprar e para quem o vai disponibilizar”.
A CMVM não se quis
comprometer com qualquer prazo para a entrega da proposta e Luís Laginha de
Sousa sublinhou que os passos seguintes estão do lado do Governo. “É um
trabalho que está num estado adiantado e que estejamos em condições de
apresentar tão depressa quanto possível. É um contributo que devemos dar e
depois caberá ao Governo avaliar e tomar as decisões que considerar”, afirmou.
É um contributo que devemos dar e depois caberá ao Governo avaliar e tomar as decisões que considerar.Luís Laginha de Sousa, presidente da CMVM
A proposta relativa
à criação desta conta inclui-se no objetivo de mobilizar para um mercado mais
desenvolvido, no âmbito do qual a CMVM pretende igualmente dar continuidade à
dinamização da iniciativa Via Mercado e à implementação do Plano do CMVM inov,
bem como desenvolver uma Zona Livre Tecnológica (ZLT) para o mercado de
capitais para promover a inovação e a competitividade do setor.
Para assegurar uma supervisão orientada para os
resultados, a CMVM vai reforçar a ação de supervisão, presencial e à distância,
sendo “dirigida especial atenção” aos prestadores de serviços de criptoativos. A supervisão será também
aprofundada em matéria de governo societário, modelos de negócio, indicadores
de performancedos auditores, conflitos de interesses e gestão de riscos
na gestão de ativos.
Reforçar a confiança dos investidores (alargando, por exemplo o
comparador de instrumentos financeiros, reforçando a prevenção da burla e
fraude digital financeira ou através do lançamento de uma nova app do
investidor) e capacitar e agilizar a CMVM (nomeadamente do domínio da
inteligência artificial) estão igualmente entre os objetivos para 2026.
Supervisor vai avançar com proposta ao Governo para conta-poupança e investimento
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