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PS acusa Governo de atuar como "agente imobiliário invertido" e quer ouvir ministro da Habitação

Lusa 24 de maio de 2026 às 11:04
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O Estado vendeu abaixo do preço de mercado imóveis que podiam ter centenas de casas públicas.

O PS acusou hoje o Governo de se comportar como um "agente imobiliário invertido", ao vender imóveis do Estado abaixo do preço, e quer explicações no parlamento do ministro da Habitação e do presidente da Estamo.

Ministro da Habitação sob escrutínio após críticas do PS sobre venda de imóveis públicos
Ministro da Habitação sob escrutínio após críticas do PS sobre venda de imóveis públicos João Cortesão

O noticiou hoje que o Estado vendeu abaixo do preço de mercado imóveis que podiam ter centenas de casas públicas. Segundo o jornal, em conjunto, oito imóveis em Lisboa deixados vazios após a concentração do Governo num só espaço, já vendidos ou que irão a leilão ainda este ano, poderiam albergar cerca de 450 casas públicas.

Em declarações à Lusa, o vice-presidente da bancada socialista Luís Testa afirmou que esta notícia apenas comprovou algo que a sua bancada já suspeitava.

"O Estado anda a comportar-se como um agente imobiliário invertido, anda a comprar imóveis por preços mais altos do que aqueles que vende. Vende barato e compra muito caro", criticou.

O deputado questionou como é que "o Estado aliena património seu que poderia ser convertido em habitação a preços acessíveis", abaixo do preço de mercado, e, ao mesmo tempo, "compra para a mesma finalidade a preços muito elevados".

Luis Testa considerou que há dois prejuízos para o Estado: por um lado, a perda de receita na sua relação com o mercado e, por outro, a perda de oportunidade de fazer, com imóveis públicos, uma política de habitação.

Para explicar o que classifica como "comportamento desnorteado" e "política errática" do Governo, o PS vai pedir, já na próxima semana, a audição parlamentar do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, e do presidente da Estamo, a empresa pública portuguesa responsável pela gestão, valorização, arrendamento e venda do património imobiliário do Estado.

"Não conseguimos compreender o verdadeiro objetivo da política de habitação do Governo e esta fraude a ser feita aos cofres do Estado", justificou o deputado.

Em abril, o PS deu entrada no parlamento de um projeto-lei que estabelece um regime de proteção do património imobiliário público com aptidão habitacional, que visa garantir a sua não alienação quando localizado em áreas com carências habitacionais ou elevada pressão urbanística.

O diploma está atualmente, segundo Luís Testa, numa fase de recolha de contributos.