Portugal e a austeridade: a história da carochinha contada no The Guardian

Portugal e a austeridade: a história da carochinha contada no The Guardian
Bruno Faria Lopes 25 de agosto de 2017

"A demagogia, o irrealismo e os erros factuais não ganham credibilidade só porque passam a ser escritos em inglês – ou porque têm a chancela de um reputado jornal internacional"

A demagogia, o irrealismo e os erros factuais não ganham credibilidade só porque passam a ser escritos em inglês – ou porque têm a chancela de um reputado jornal internacional, o The Guardian. Owen Jones, colunista do jornal, produziu uma prosa cheia de erros e de conclusões à medida das suas convicções, amplamente partilhada em Portugal – esta difusão, a credibilidade do jornal e o facto de o artigo repetir a mesma demagogia que aqui ouvimos sobre um episódio recente e traumático em Portugal tornam interessante responder.

A tese de Owen Jones em "No austerity? That lie has now been nailed" é esta: a história em Portugal desde que o PS chegou ao poder no final de 2015 prova que era possível "virar a página da austeridade", demonstra que a inevitabilidade das medidas duras era uma "mentira" e que a Europa, que Portugal desafiou com uma experiência na senda do malogrado Syriza, devia "seguir a experiência portuguesa para reformular a União Europeia e travar a austeridade".

O problema fundamental deste texto – como de todas as argumentações do mesmo género que ouvimos em Portugal – está no facto de ignorar o contexto em que as decisões políticas passadas e actuais são tomadas. É um texto sem contexto. Quais eram esses contextos?

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