Maioria dos portugueses poupa para férias, não para imprevistos

Lusa 31 de outubro de 2016
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A falta de rendimentos é a principal razão dos portugueses para não pouparem. Famílias nunca pouparam tão poucos no últimos vinte anos

A falta de rendimentos é a principal razão dos portugueses para não pouparem, mas quem poupa tem em vista pagar férias e viagens, ou substituir bens duradouros, e não pagar despesas imprevistas, revela um estudo do Banco de Portugal.

Economizar dinheiro é um hábito de pouco mais de metade (59%) dos mais de mil inquiridos pelo banco central sobre literacia financeira no ano passado, mas o número aumentou face aos 52% apurados no inquérito anterior realizado em 2010.

Nesses cinco anos, apesar de ter aumentado o número de inquiridos a poupar, manteve-se o principal motivo alegado pelos que não poupam, existindo em ambos os anos 88% de entrevistados a apontar o baixo nível de rendimento como a razão de não conseguirem poupar.

Entre os entrevistados que afirmaram ter poupado em 2015, há menos, face aos resultados apurados em 2010, que poupam para despesas imprevistas 58% em 2010, contra 44,8% em 2015, mas são mais os que estão preocupados com o planeamento de despesas futuras.

O número de entrevistados que diz poupar para fazer face a despesas não regulares, como gastos com férias e viagens de lazer, aumentou de 14,9% em 2010 para 23,9% em 2015, e os que poupam para adquirir bens duradouros subiu de 8,1% em 2010 para 20,8% no ano passado.

Poupar para a reforma é uma preocupação de poucos portugueses e diminuiu de peso nos últimos cinco anos: no inquérito de 2010 apenas 5,9% dos inquiridos diz ter feito essa poupança, mas no ano passado a percentagem caiu para 4,3%.

Poupança das famílias cai para mínimos dos últimos 20 anos
A poupança das famílias portuguesas voltou a cair em 2015 face ao ano anterior, representando 4,4% do rendimento disponível, um novo mínimo dos últimos 20 anos, segundo números do Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com dados do INE, a taxa de poupança das famílias portuguesas (e das sociedades sem fins lucrativos que as apoiam) representou 4,4% do rendimento disponível em 2015, uma nova descida face a 2014, quando as famílias conseguiam poupar 5,2% do seu rendimento.

Em 1995, o primeiro ano para o qual o INE disponibiliza estes dados, esta taxa de poupança representava 12,5% do rendimento disponível (o valor mais alto da série), descendo para 7,5% em 2011, o ano em que Portugal recorreu a ajuda financeira externa, tendo depois iniciado um processo de recuperação, ainda que moderado.

Essa tendência inverteu-se em 2014, quando a taxa de poupança das famílias desceu face ao ano anterior, atingindo 5,2%, uma queda que se manteve em 2015 e, pelo menos, na primeira metade deste ano.

Os números referentes a 2016, ainda trimestrais, indicam que este indicador continuou a cair este ano, atingindo os 3,9% do rendimento das famílias no ano terminado em Junho último.

Também o Banco de Portugal (BdP) apresenta dados para os níveis de poupança das famílias e que são semelhantes aos do INE, apontando para uma taxa de poupança dos particulares de 4,3% do rendimento disponível em dezembro de 2015 e de 3,5% em Março deste ano.

Já os depósitos dos particulares nos bancos comerciais, um dos instrumentos de poupança mais comuns, ultrapassaram os 137.000 milhões de euros em Dezembro de 2015.

Os números mais recentes são de Agosto deste ano e indicam que os portugueses tinham depósitos no valor global de 140.691 milhões de euros nesse mês, mais 3.932 milhões de euros do que em Agosto de 2015.

Entre Janeiro e Agosto de 2016, o montante investido em depósitos aumentou 2.845 milhões de euros, uma vez que, no final de 2015, os portugueses tinham investido 137.846 milhões de euros neste instrumento de poupança, de acordo com o BdP.

O Dia Mundial da Poupança celebra-se hoje e foi criado em 1924, no I Congresso Internacional de Economia, realizado na cidade italiana de Milão.
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