Após ter concluído em julho o processo de despedimento de 304 trabalhadores na fábrica de Ovar, a empresa anunciou a dispensa de outros 163, que receberam indicações para não se apresentarem ao serviço já esta sexta-feira.
A Yazaki chegou a empregar quase oito mil pessoas em
Portugal, entre os seus polos industriais de Ovar e Gaia.
Nos finais dos anos 90, começou a deslocalização para o
leste europeu. No ano 2000, já só tinha cerca de quatro mil pessoas no nosso
país.
Até que, em abril de 2008, fechou a unidade de Gaia,
mandando para o desemprego os últimos 400 trabalhadores daquela que foi a
primeira fábrica de cablagens da Europa, inaugurada em 1986.
Neste brutal plano de "downsizing", a Yazaki Saltano
terá desembolsado mais de 50 milhões de euros em indemnizações, tendo mantido a
unidade de Ovar, onde, ainda há cerca de 15 anos, empregava cerca de 1.300
pessoas, número que mais do que duplicou nesta década.
A unidade ovarense da multinacional nipónica, que produz
uma série de componentes elétricos e eletrónicos para o setor automóvel, entrou
na pandemia de covid-19, em março de 2020, com cerca de 2.200 pessoas.
Entretanto, fortemente afetada pela atual situação
crítica da indústria automóvel europeia, a empresa de Ovar anunciou, em março
do ano passado, o despedimento de 364 trabalhadores, processo que foi concluído
em julho, com a dispensa de 304, ou seja, menos 60 do que o inicialmente
previsto.
Mas eis que, esta quinta-feira, 15 de janeiro, a Yazaki
Saltano comunicou, de supetão, o despedimento de mais 163 pessoas, com efeitos
imediatos, pelo que os trabalhadores afetados ficaram dispensados de se
apresentar esta sexta-feira ao trabalho.
Em comunicado, a Yazaki explica que esta medida “visa
assegurar a viabilidade das operações em Portugal e reforçar a capacidade de
angariar novos projetos”.
"A unidade industrial da Yazaki em Portugal, Yazaki
Saltano de Ovar, continua a operar num contexto exigente, marcado pelos atuais
desafios da indústria automóvel europeia", sublinha a empresa,
acrescentando que, "com a crescente pressão sobre os custos, a subsidiária
portuguesa da Yazaki EMEA enfrenta exigências acrescidas para manter a sua
competitividade face às atuais condições de mercado”.
“Como resposta a este cenário, a empresa está a
implementar medidas de otimização de recursos e de integração tecnológica, com
vista ao reforço da sua competitividade no mercado, bem como à continuidade da
sua presença e atividade em Portugal”, enfatiza a Yazaki Saltano.
“Já havia uma má expectativa de que isso pudesse voltar a
acontecer”, reagiu um dirigente sindical, Justino Pereira, em declarações ao “Jornal
de Notícias”.
À TSF, o presidente da Câmara de Ovar, Domingos Silva, afirmou
que foi informado pela empresa e garante que a autarquia vai dar todo o apoio
aos trabalhadores despedidos, nomeadamente com “complementos de renda, apoio à
medicação, apoio a consumos como luz, medicamentos e até um fundo de emergência”.
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