Numa altura em que os preços petróleo e do gás natural já registam subidas, teme-se na Europa que se volte à situação de crise energética de 2022.
Os ministros das Finanças da zona euro, reunidos esta segunda-feira pela primeira vez em Bruxelas desde o início da guerra entre Israel e Estados Unidos e Irão, vão discutir os impactos económicos do conflito, ao nível energético e inflacionista.
Miranda Sarmento, ministro das FinançasANTÓNIO COTRIM/LUSA
O encontro - no qual Portugal estará representado pelo ministro português da tutela, Joaquim Miranda Sarmento - começa com um debate sobre a evolução macroeconómica na área do euro, devendo os governantes da moeda única debater como fazer face aos aumentos dos preços da energia e das pressões inflacionistas devido à guerra envolvendo Israel, os Estados Unidos e o Irão, que arrancou há uma semana.
Numa altura em que os preços petróleo e do gás natural já registam subidas (o petróleo a subir mais de 10% e o gás europeu a sofrer aumentos ainda mais acentuados), teme-se na Europa que se volte à situação de crise energética de 2022, após a invasão russa da Ucrânia, já que o espaço comunitário depende fortemente das importações provenientes de mercados globais, muitos dos quais estão direta ou indiretamente ligados ao Médio Oriente.
Qualquer escalada militar que afete a produção ou o transporte de energia - especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial - tende a gerar choques nos mercados energéticos internacionais e a elevar os preços.
Os aumentos resultam tanto de interrupções na produção e transporte de energia como da incerteza geopolítica que leva investidores e empresas a antecipar escassez futura, podendo também afetar os preços da eletricidade (dado o gás pesar em tal formulação), transportes e produção industrial.
O Banco Central Europeu (BCE), responsável pela estabilidade dos preços na área da moeda única, já veio alertar que a subida dos preços da energia pode gerar pressões inflacionistas na zona euro.
De acordo com o BCE, uma guerra prolongada no Médio Oriente poderá elevar a inflação e reduzir o crescimento económico, uma vez que os custos energéticos mais elevados se propagam por toda a economia.
A incerteza política relacionada com a guerra pode ainda reduzir o investimento, perturbar cadeias de abastecimento e aumentar os custos de transporte global, consequências que são mais acentuadas quanto maior for a duração do conflito.
Uma escalada prolongada da guerra no Médio Oriente representa um risco significativo para a estabilidade macroeconómica europeia.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Barém, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã, Iraque, Chipre e Turquia.
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