António Mariano, o homem que quer dominar os portos

António Mariano, o homem que quer dominar os portos
Bruno Faria Lopes 22 de novembro de 2018

António Mariano lidera o aguerrido – ou agressivo, segundo os críticos – SEAL e está numa batalha por influência em todo o País.

Em Junho, depois de meses de negociações, o sindicato que controla os estivadores do porto de Lisboa assinou um acordo: um aumento salarial de 4% este ano, com retroactivos a Janeiro, e um novo aumento de 1,5% em 2019. Para os trabalhadores, que aprovaram o acordo em plenário, era o primeiro aumento desde 2010. Para as empresas que exploram a concessão na capital era uma garantia de paz social num porto que assistiu a mais de uma centena de pré-avisos de greve na última década. Duas semanas depois apareceu um novo pré-aviso de greve de um dia, marcado pelo sindicato. O motivo não está em Lisboa, mas numa batalha a 300 quilómetros de distância, naquele que se tornou o maior porto nacional: Leixões.

"Por assinarmos um acordo em Lisboa não ficámos reféns", afirma o líder sindical António Mariano, que recebeu a SÁBADO na sede do SEAL, o mais aguerrido – e agressivo, segundo os críticos – sindicato de estivadores do País. "Se as empresas que estão em Lisboa, e que estão noutros portos, assinam um acordo e acham que não podemos ter uma acção de solidariedade há um problema de avaliação deles."

Do lado dessas empresas a surpresa foi total. Fonte oficial da Yilport – o grupo turco que em 2015 comprou o negócio portuário à Mota-Engil e ao Novo Banco por 330 milhões de euros – diz à SÁBADO que nem durante, nem depois das negociações houve sinais de que eventuais queixas sindicais sobre Leixões, onde o SEAL tem uma presença mais modesta, poderiam levar a uma paralisação com impacto forte em Lisboa. As empresas reagiram rasgando o acordo em Lisboa, que António Mariano ainda quer ver cumprido.

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