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O que é a ansiedade financeira e como se pode combater?

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Com o aumento dos preços e do custo de vida resultante dos conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia a psicóloga Ângela Rodrigues explica à SÁBADO o porquê de haver mais ansiedade financeira e o que se pode fazer para mitigar essas preocupações.

O conflito no Médio Oriente, que teve início no final de fevereiro, encerrou o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo e gás. Consequentemente, os preços dos combustíveis dispararam em todo o mundo. Segundo a DECO Proteste, organização de defesa do consumidor, logo na primeira semana do conflito o preço do barril de petróleo aumentou de 70 para 80 dólares. Na mesma altura em Portugal a gasolina subiu em média 3,8 cêntimos por litro e o gasóleo simples cerca de 5,7 cêntimos por litro, face à última semana de janeiro. Estes foram os valores mais altos registados desde o início do conflito na Ucrânia em 2022. 

Ansiedade financeira intensifica-se em momentos de instabilidade política e económica
Ansiedade financeira intensifica-se em momentos de instabilidade política e económica Lusa

Estes aumentos de preços, tanto nos combustíveis como na alimentação, e o aumento do custo de vida em geral, podem pesar nos orçamentos de várias famílias. Em alguns casos, pode mesmo desenvolver-se ansiedade financeira, “um estado de preocupação persistente relacionado com dinheiro, estabilidade económica ou a capacidade de satisfazer necessidades básicas e compromissos financeiros”, explica à SÁBADO a psicóloga Ângela Rodrigues. 

Contudo, não se trata de uma preocupação pontual com custos e despesas, mas “um nível de inquietação constante que pode afetar o bem-estar emocional e o funcionamento diário da pessoa”, acrescenta. Apesar dos sintomas de ansiedade financeira serem semelhantes aos de ansiedade generalizada, “batimento cardíaco acelerado, insónias, dificuldade em dormir ou inquietação”, o que as distingue são os pensamentos recorrentes. No caso da ansiedade financeira, a preocupação é a segurança económica, enquanto que na ansiedade generalizada pode ser “o desempenho, ansiedade social”, entre outros. 

Em alturas de instabilidade económica ou política internacional, como o conflito no Médio Oriente e a guerra na Ucrânia, cujas implicações resultaram num aumento dos preços e do custo de vida, a psicóloga nota que é “natural que estas preocupações se intensifiquem”. “O aumento do custo de vida, a imprevisibilidade económica e a exposição constante a notícias podem amplificar sentimentos de insegurança”, afirma. 

De forma a superar esta fase Ângela Rodrigues nota a importância de trabalhar em simultâneo “a dimensão prática e a dimensão psicológica do problema”. Ou seja, do ponto de vista prático talvez possa organizar as finanças, “criar um orçamento realista, rever despesas e definir prioridades”. Já ao nível psicológico é importante trabalhar a “relação emocional com o dinheiro”, assim como “identificar pensamentos excessivamente catastróficos ou rígidos e desenvolver estratégias de regulação emocional”. 

Por fim, a especialista sublinha a importância de expressar estas preocupações e procurar ajuda. “Seja psicólogo, social ou financeiro, pode ser um passo importante para reduzir o impacto da ansiedade e recuperar uma sensação de maior segurança e controlo”, conclui.

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