O movimento 'Salvar o Boavista' angariou cerca de 80.000 euros nos últimos dias e continua a aceitar donativos para tentar evitar o encerramento do clube.
Porto, 25 jul 2026 (Lusa) - O movimento 'Salvar o Boavista', responsável por angariar a verba necessária para a reabertura do clube portuense, mostrou-se na sexta-feira expectante pela decisão do tribunal sobre o futuro dos 'axadrezados', que podem encerrar a atividade em breve.
Estádio do Bessa XXIDR
"Vivemos dias de enorme ansiedade. Toda a família boavisteira aguarda uma decisão do tribunal que permita a reabertura do nosso clube. Uma decisão que era esperada na quarta-feira, depois na quinta-feira e que muitos acreditavam que pudesse finalmente chegar hoje [na sexta-feira], sobretudo depois da demonstração inequívoca de união da cidade, da mobilização dos boavisteiros e do valor entretanto depositado na conta da massa insolvente", reconheceu o movimento, através das redes sociais.
Há uma semana, a administradora de insolvência anunciou que o Boavista encerraria a atividade até ao fim de julho, após falhar o depósito na conta da massa insolvente dos credores do clube da verba para suportar as despesas correntes em junho, numa decisão que incidia em quase 1.500 atletas, de 31 modalidades, e que já tinha estado perto de suceder algumas vezes desde dezembro de 2025.
A entrega das chaves do Estádio do Bessa e de espaços adjacentes, livres de pessoas e bens, está prevista até 31 de julho, mas o movimento 'Salvar o Boavista' angariou cerca de 80.000 euros nos últimos dias e continua a aceitar donativos para tentar evitar o encerramento do clube, fundado em 1903 e detentor de nove troféus nacionais no futebol sénior masculino, apenas atrás de Benfica, FC Porto e Sporting.
"Quando muitos acreditavam que já nada podia ser feito, sócios, adeptos, antigos atletas, portuenses e boavisteiros espalhados por Portugal e pelo mundo uniram-se numa causa comum: salvar o Boavista. Uma semana depois, foi já possível angariar mais do que o valor necessário para manter as portas abertas, segundo a administradora de insolvência, valor que reverteu integralmente para a conta da massa insolvente", assegurou.
Perante essa mobilização, a direção do clube apresentou um requerimento ao tribunal para obter a validação da administradora de insolvência e poder reabrir as instalações do Estádio do Bessa, mas ainda não teve resposta.
"É impossível não sentir alguma incompreensão. A rapidez com que foi determinado o encerramento do clube não está a ser acompanhada pela mesma celeridade na sua reabertura, apesar desta extraordinária demonstração de vida, força e capacidade de superação e, pelo que consta, com parecer favorável à reabertura por parte da comissão de credores. Cada dia que passa aumenta a angústia de todos, mas, se há algo que este movimento já provou, é que a esperança nunca deixou de existir", frisou.
Rejeitando estar vinculado a "qualquer direção, candidatura ou interesse particular", o movimento assume ser composto apenas por voluntários e nasceu "da dor, da preocupação e do amor incondicional de milhares de boavisteiros, que se recusaram a aceitar que um clube centenário pudesse desaparecer".
"Queremos continuar a mobilizar a massa associativa, os adeptos, os antigos jogadores, os empresários, os portuenses e todos os que amam o Boavista para assegurar as despesas correntes do clube até ao final de 2026, permitindo que se possa reconstruir com estabilidade, dignidade e confiança", afiançaram.
O movimento retribui com uma camisola exclusiva da campanha quem contribuir com, pelo menos, 50 euros, numa iniciativa em que já foram registados quase 1.500 pedidos e o objetivo será vender 3.000 peças.
"Nos próximos dias, apresentaremos à direção do Boavista uma proposta de um novo plano de quotização, que possa contribuir para reforçar a sustentabilidade do clube", adiantou, agradecendo ao emblema presidido por Rui Garrido Pereira pela colaboração na divulgação da campanha.
Na terça-feira, a Câmara Municipal do Porto aprovou por unanimidade uma moção conjunta em que reafirma o compromisso com a salvaguarda da relevância social do Boavista, tendo o executivo liderado por Pedro Duarte, da coligação PSD/CDS-PP/IL, mostrado disponibilidade para colaborar na procura de soluções.
"Acreditamos que o Boavista reabrirá portas até 31 de julho. Não faria sentido que assim não fosse, mas o nosso objetivo nunca foi apenas garantir a reabertura do clube. É ajudar a garantir a sua continuidade", concluiu.
Os 'axadrezados' submeteram no tribunal um plano de recuperação, um dia antes do anúncio do fecho da atividade, e filiaram-se na Associação de Futebol (AF) do Porto para a época 2026/27, sem saberem em que escalões podem competir.
O Boavista teve a sua liquidação aprovada em setembro de 2025, após acumular dívidas superiores a 150 milhões de euros (ME), mas, três meses depois, chegou a acordo com os credores em tribunal para manter a atividade, comprometendo-se a cobrir o défice corrente da sua exploração.
O clube detém 10% do capital social da Boavista SAD, que viu a respetiva liquidação ratificada em maio e também está a trabalhar num novo plano de recuperação, após ficar sem equipa profissional e ser relegada por via administrativa para os escalões distritais, devido a problemas financeiros.
A Boavista SAD foi despromovida à segunda divisão da AF Porto em 2025/26, um ano depois da descida à II Liga, que encerrou uma passagem de 11 épocas seguidas pelo escalão principal, no qual se tornou um dos cinco campeões nacionais da história do futebol português em 2000/01.
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