O atleta iraniano Aboulfazl Khatibi Mianaei foi forçado a desistir dos Jogos Paralímpicos de Milão-Cortina2026 devido à insegurança no Médio Oriente, que impediu a sua viagem para Itália, anunciou hoje o Comité Paralímpico Internacional (IPC).
Jogos Paralímpicos em Milão-CortinaLUSA_EPA
Num comunicado oficial, divulgado poucas horas antes da cerimónia de abertura, marcada para as 20:00 na Arena de Verona, o Comité explica que o esquiador de 23 anos não conseguiu garantir condições de segurança para abandonar o país e chegar à Europa.
O presidente do Comité Paralímpico Internacional (IPC), Andrew Parsons, lamentou a ausência daquele que seria o único representante da República Islâmica na competição, sublinhando que o risco para a vida humana é demasiado grande para permitir a deslocação da delegação.
"É realmente decepcionante para o desporto mundial e, acima de tudo, para Aboulfazl Khatibi Mianaei, que ele não possa viajar em segurança para os seus terceiros Jogos Paralímpicos de Inverno em Milão-Cortina2026", lamentou.
Aboulfazl Khatibi Mianaei, que já tinha participado nos Jogos de Inverno de Pyeongchang 2018 e Pequim 2022, estava inscrito em duas provas de para-esqui de fundo.
Segundo a organização, o IPC e o comité organizador trabalharam nos bastidores com a federação iraniana para encontrar rotas alternativas desde o início das hostilidades no passado sábado, mas sem sucesso perante o agravamento do conflito.
A ausência forçada do atleta ocorre num contexto de elevada tensão regional, após os bombardeamentos contra a capital Teerão e a subsequente retaliação iraniana com mísseis contra Israel e bases norte-americanas no Golfo.
Com esta desistência, a bandeira do Irão não estará presente no desfile inaugural e o número de nações representadas nos 10 dias de competição nas seis modalidades previstas baixa de 56 para 55 países.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
O Conselho de Liderança Iraniano assume atualmente a direção do país.
Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.
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