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“As Malvinas são argentinas”: que tarja foi esta que os jogadores mostraram

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As Ilhas Falkland pertenciam ao império espanhol até serem invadidas pelos britânicos. Em 1982 foram invadidas pelos argentinos, que continuam a defender a disputa territorial, apesar de a terem perdido.

Na noite de quarta-feira as seleções da Argentina e da Inglaterra defrontaram-se mais uma vez e, tal como no jogo histórico do Mundial de 1986, foram os sul-americanos que levaram a melhor e que será disputada sexta-feira.  

“As Malvinas são argentinas”: jogadores mostram faixa sobre território ultramarino inglês
“As Malvinas são argentinas”: jogadores mostram faixa sobre território ultramarino inglês Rebecca Blackwell / AP

No final do jogo, os jogadores argentinos foram buscar à claque uma faixa onde era possível ler-se “as Malvinas são nossas”. Anteriormente já tinham sido partilhados vídeos nas redes sociais imagens dos jogadores sul-americanos nos balneários, depois da vitória sobre a Suíça nos quartos de final, a entoarem frases como “pelas Malvinas, pelo Diego, pela última de Leo”. 

Agora a Federação de Futebol da Argentina pode ser alvo de uma ação disciplinar por parte da FIFA, tendo em conta que de acordo com o Código de Conduta dos Estádios da FIFA são proibidas “faixas, bandeiras, panfletos, peças de vestuário e outros adereços, de natureza política, ofensiva e/ou discriminatória”.  

Em 2014 a federação argentina foi multada em 32.455 euros depois de os jogadores terem posado para fotografias à frente de uma faixa com a mesma mensagem. 

Uma rivalidade histórica

As Ilhas Malvinas ou Ilhas Falkland, localizam-se no Oceano Atlântico, pertenciam ao império espanhol até serem invadidas pelos britânicos, no entanto com a desintegração do Império Espanhol o território foi reivindicado pela Argentina. Mas Malvinas continuam até hoje a ser oficialmente um território autónomo sob jurisdição britânica. 

Depois de não conseguir um acordo de cessão por parte do governo de Margaret Thatcher, o ditador argentino Leopoldo Galtieri decidiu, em 1982, invadir as Ilhas Falkland com o objetivo de aumentar a sua popularidade interna. O ataque, a 2 de abril desse ano, originou uma contra invasão britânica que arrastou as ilhas para uma guerra de 74 dias.  

Nesse mesmo ano, realizou-se o Mundial de Futebol em Espanha para o qual as duas seleções em guerra se qualificaram. No entanto não chegou a ocorrer um confronto direto dentro das quatro linhas entre a Argentina e a Inglaterra. Esse mundial ficou, ainda assim, marcado pela estreia de um dos melhores jogadores de todo o sempre: Diego Armando Maradona.  

Voltando ao território ultramarino britânico, a guerra acabou com a derrota dos argentinos depois de uma dolorosa rendição das suas tropas o que gerou um ressentimento do país contra o Reino Unido. No mundial seguinte - México 1986 - ocorreu o famoso jogo da “Mão de Deus”, nos quartos de final, em que os dois países saídos da guerra se voltaram a defrontar, mas esta vez com um final diferente.  

Este jogo funcionou como a vingança que o país nunca conseguiu dar na vertente geopolítica. Aos 51 minutos os argentinos chegaram à vantagem, mas o golo só foi possível porque Maradona empurrou a bola com a mão durante o remate, algo que o árbitro não viu e que, desbloqueou o jogo antes de o astro argentino bisar, com aquele que ficou conhecido como o “Golo do Século”. Mais tarde, questionado sobre o golo, Maradona afirmou que tinha sido marcado “um pouco com a cabeça e um pouco com a mão de Deus”. A Argentina eliminou ainda a Bélgica e venceu a final contra a Alemanha, conquistando o seu segundo título mundial.  

Em 1998 as seleções voltaram a defrontar-se e, mais uma vez, a Argentina eliminou a Inglaterra, desta vez nos penáltis. David Beckham foi expulso após um confronto com Diego Simeone. Um ano mais tarde Simeone – atualmente treinador do Atlético de Madrid – disse que o cartão vermelho foi injusto e que “o mais correto teria sido um amarelo”: “Digamos que o árbitro caiu na armadilha”. Em 2002 a história foi diferente e Beckham marcou o penálti decisivo para eliminar a Argentina. 

A questão da disputa territorial acrescida pela “Mão de Deus” aumentou a rivalidade entre as duas seleções e sempre que se confrontam ouvem-se cânticos sobre as Malvinas. 

Este sentimento de posse sobre as Maldivas não é algo exclusivo dos jogadores de futebol, nem dos seus apoiantes. Recentemente, o ministro dos Negócios Estrangeiros argentino, Pablo Quirno, afirmou que a população do arquipélago é um grupo “artificialmente implantado” por aquilo que considera ser uma “potência ocupante”, rejeitando a legitimidade do referendo de 2013, no qual a grande maioria dos habitantes (90%) escolheu manter-se sob administração britânica. Também o presidente da Argentina, Javier Milei, tem afirmado publicamente a soberania sobre o território ultramarino britânico: “As Malvinas foram, são e sempre serão argentinas”, escreveu nas redes sociais. 

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