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Polémica no karaté: equipa técnica da seleção demite-se por alegada “ingerência” da direção da federação nas convocatórias

João Amaral Santos 07 de maio de 2026 às 10:27

Os quatro treinadores da seleção nacional deram um ‘murro na mesa’ em vésperas do europeu, depois de a direção da FNK-P ter alegadamente imposto na convocatória a presença de três atletas que estão a contas com processos disciplinares. A polémica levou a debandada de atletas e a equipa masculina de kumite vai falhar europeu… e mundial.

A equipa técnica da seleção nacional de karaté – na disciplina de Kumite – pediu a demissão em bloco, devido à alegada “coação”, “desautorização” e “ingerência” da direção da Federação Nacional de Karaté - Portugal (FNK-P), presidida por Carlos Silva, na convocatória para o campeonato da Europa da modalidade, que decorre entre os próximos dias 20 e 24 de maio, em Frankfurt, na Alemanha.

Demissão da equipa técnica da seleção nacional de karaté gera polémica Federação Portuguesa de Karaté

Estevão Trindade, Filipe Fernandes, Nuno Moreira e Paulo Azevedo acusam a FNK-P de utilizar “a coação ou a pressão ‘política’ para influenciar convocatórias e planeamentos”, considerando que essa postura “anula a liberdade necessária para um selecionador exercer as suas funções com isenção e profissionalismo”. Na carta de demissão, a que a SÁBADO teve acesso, os quatro treinadores consideram que não podem “ser cúmplices de um modelo de gestão que premeia o desalinhamento ético e penaliza o rigor” e que, neste momento, “não existem condições para liderar uma seleção quando a própria estrutura que a deveria apoiar é a que mais ativamente sabota a sua autoridade e valores”.

A SÁBADO sabe que a ‘gota de água’ para demissão surgiu após a FNK-P impor a presença de dois atletas do Sporting e um do Ginásio Clube Vilacondense na convocatória para o europeu de Frankfurt. Atualmente, o trio de karatecas está a contas com processos disciplinares – na sequência de comportamentos que a equipa técnica considera “gerarem perturbação do normal funcionamento da seleção nacional” –, mas foram incluídos pelos dirigentes no grupo.   

Os selecionadores demissionários acusam o presidente da FNK-P, Carlos Silva, de “tentar controlar treinadores e também todas as decisões” de todos os órgãos federativos (como os conselhos de disciplina e de arbitragem).

A SÁBADO tentou obter explicações de Carlos Silva, mas ainda não foi possível até ao momento.

Fora do europeu e do mundial

A demissão dos quatro treinadores levou a um abalo na seleção nacional: cinco dos 12 atletas que figuravam na convocatória final já terão informado a FNK-P que se “recusavam” em participar na competição; outros dois atletas ponderam ainda tomar a mesma decisão. Com esta debandada – e uma vez que os prazos para as inscrições já terminaram – a equipa masculina de Kumite não vai poder competir na prova. A situação tem ainda mais consequências. Como este momento era o único momento de qualificação para a Copa do Mundo WKF de Equipas, a ter lugar em Hangzhou (China), de 20 a 22 de novembro, a seleção nacional fica também fora do mundial.

Esta é a segunda bronca envolvendo a FNK-P em poucos dias, depois de a SÁBADO ter avançado que um praticante de karaté aprsentou queixa contra o atual selecionador nacional – na disciplina de Kata –, Jorge Peixeiro, por este alegadamente o ter ameaçado e insultado. As queixas de , de 27 anos, foram apresentadas ao Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) e à FNK-P. O conflito terá até provocado danos colaterais, pois Maísa Caridade, uma das principais karatecas portuguesas, atual número 2 do ranking nacional, e namorada do atleta que entrou em “choque” com Jorge Peixeiro, passou a ficar fora das escolhas da seleção para as provas internacionais (também não vai participar no europeu, na Alemanha).

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