Mundial2026: Human Rights Watch pede à FIFA medidas de proteção antes da competição
De acordo com a HRW, o Mundial2026 "decorre no meio de uma crise de direitos humanos nos Estados Unidos, incluindo a repressão generalizada da imigração, ameaças à liberdade de expressão e uma tendência para o autoritarismo".
A organização Human Rights Watch (HRW) instou esta sexta-feira a FIFA a estabelecer protocolos de proteção para os futebolistas que optarem por exercer o seu direito de protestar contra violações dos direitos humanos antes do Mundial2026.
A pretensão da HRW no âmbito do Mundial2026, que vai ser disputado nos Estados Unidos, no México e no Canadá, de 11 de junho a 19 de julho, surge após os incidentes que envolveram a seleção feminina de futebol iraniana na Taça da Ásia, na Austrália.
De acordo com a HRW, o Mundial2026 "decorre no meio de uma crise de direitos humanos nos Estados Unidos, incluindo a repressão generalizada da imigração, ameaças à liberdade de expressão e uma tendência para o autoritarismo".
Por isso, a HWR exige que a FIFA implemente, antes da competição, protocolos de salvaguarda, incluindo mecanismos de denúncia, canais de comunicação confidenciais e a proibição de agentes políticos nas federações de futebol que restrinjam os direitos dos futebolistas que representam.
"Isto protegerá os futebolistas que decidirem exercer o seu direito de protestar contra as violações dos direitos humanos", defende a HWR, depois de denunciar o que aconteceu às jogadoras da seleção feminina iraniana que se abstiveram de cantar o hino.
Para a HRW, a decisão do governo australiano de conceder asilo a cinco jogadoras e uma dirigente "demonstra a importância de proteger atletas corajosos que defendem as suas convicções".
A organização recordou ainda que as jogadoras, no seu primeiro jogo, em 02 de fevereiro, se abstiveram de cantar o hino nacional como forma de protesto, o que levou a televisão estatal iraniana a rotular a equipa de "traidora em tempo de guerra".
Desde que chegaram à Austrália, no final de fevereiro, pouco antes do conflito no Irão e do atual bloqueio da Internet imposto pelas autoridades, as jogadoras disseram ter sido assediadas por agentes de segurança e agentes iranianos.
Segundo a HRW, as iranianas já relataram à organização "como os agentes políticos do governo viajam com a seleção nacional para as monitorizar".
"A FIFPro, que é uma espécie de sindicato global dos jogadores, considerou que a Confederação Asiática de Futebol (AFC) e a FIFA deveriam ter previsto o risco, mas fizeram muito pouco para proteger as jogadoras. Ao permitir que as autoridades políticas que restringem os direitos das mulheres viajem com as delegações, a AFC e a FIFA não só toleram o abuso, como também lhe proporcionam uma plataforma fora do seu país de origem", rematou a HRW.