Da piscina às obras na PJ: tudo o que se sabe sobre o caso de Luís Neves
Em causa obras com uma empresa que fez contratos milionários com a PJ e depois foi contratada pela empresa da mulher do ministro num monte alentejano da família.
Luís Neves está a ver-se envolvido na primeira polémica desde que chegou ao Governo da AD. Em causa estão obras num monte alentejano, em São Teotónio, Odemira, realizadas pela empresa Construbarcelos, que também realizou obras para a Polícia Judiciária quando o atual ministro da Administração Interna era diretor nacional daquela unidade.
O caso
O caso nasceu de uma notícia do semanário Nascer do Sol que revelava que o atual ministro da Administração Interna tinha contratado uma empresa chamada Construbarcelos, detida pelo empreiteiro João Carvalho, para realizar obras de renovação num imóvel em São Teotónio, no concelho de Odemira. A empresa foi contratada pela empresa unipessoal Alcampos, da mulher de Neves. Em entrevista à CNN, o ministro falou sobre a impossibilidade do próprio ter uma empresa: "É uma empresa unipessoal, de 500 euros, que praticamente tem esta atividade de aquisições de material que foram feitas para depois mais tarde explorar enquanto turismo de habitação rural, que não teve atividade”.
As obras iniciaram-se em 2024 e já custaram à Alcampos 27.483 euros, revelou o jornal Observador.
Anteriormente a Construbarcelos celebrou diversos contratos de construção civil com a Polícia Judiciária, entre 2019 e 2025. As obras foram ganhas por concursos públicos e dizem respeito a renovações nas sedes da PJ, no Departamento de Investigação Criminal da Guarda e na Unidade Local de Investigação Criminal de Évora. No total, o Estado pagou 2,1 milhões de euros à Construbarcelos. Na altura, era Luís Neves o diretor da PJ.
Isto quer dizer que quando a Alcampos contratou a Construbarcelos ainda decorriam obras na PJ feitas por esta empresa. Mas durante as entrevistas televisivas, Neves assegurou que não sabia quem era João Carvalho quando as obras foram adjudicadas e que as adjudicações que foram feitas já depois de conhecer João Carvalho (os dois conheceram-se na Guarda em 2024) foram "extensões" de obras que já tinham começado. Entre 2024 e 2025, a PJ adjudicou contratos no valor total de 688 mil euros à Construbarcelos.
A questão das faturas
Em três entrevistas dadas a televisões no domingo, 12 de julho, Luís Neves falou das faturas dos pagamentos à Construbarcelos. Ao Observador, foi fornecida uma lista das faturas que estarão registadas no portal da Autoridade Tributária da empresa unipessoal Alcampos.
Depois afirmou que “90% das faturas” foram pagas por transferência bancária ou por multibanco. Isto dá a entender que os restantes 10% terão sido pagos em dinheiro vivo.
A piscina
O ministro da Administração Interna construiu uma piscina no polémico alojamento local que está a construir no seu monte em Odemira, sem ter pedido licença à câmara, avançou a CNN esta segunda-feira.
Luís Neves chegou a referir que tinha construído um tanque no referido alojamento local. Porém, trata-se de uma piscina que, por ser uma obra urbanística, precisa de licença. Mas, segundo fonte oficial da autarquia de Odemira, "não foi possível encontrar qualquer processo de licenciamento/comunicação de obras" para o monte do ministro em São Teotónio.
Além disso, só a piscina custaria "entre sete e nove mil euros, sem contar com os custos de deslocação e de alojamento dos trabalhadores" da Construbarcelos, que tem sede a cerca de 520 quilómetros de distância (ou cinco horas de viagem) do monte do ministro. Segundo Luís Neves, o custo total da obra são "uns 20 mil euros, 25, 30 mil, à volta disso", algo que os mesmos construtores contactados pela CNN considera que é um preço tão baixo que só pode ser "preço de amigo".