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Termas de São Pedro do Sul aquecem futuro com geotermia

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Nova central geotérmica aproveita o calor das águas termais para abastecer balneários e hotéis.

As Termas de São Pedro do Sul deram mais um passo na sua longa história de inovação ao inaugurarem, no passado dia 2 de julho, uma nova Central Geotérmica que permitirá reforçar a sustentabilidade ambiental da estância termal e aumentar a eficiência energética de todo o complexo. A cerimónia contou com a presença do Secretário de Estado Adjunto e da Energia, Jean Barroca, autarcas, responsáveis do setor termal e representantes de várias entidades ligadas à energia e ao desenvolvimento territorial.

A nova infraestrutura resulta de uma parceria entre a Termalistur e o Município de São Pedro do Sul e representa um investimento de cerca de 1,57 milhões de euros, apoiado por fundos públicos destinados à promoção de soluções energéticas sustentáveis. O projeto permite aproveitar o calor natural das águas termais, que emergem à superfície a temperaturas próximas dos 70 graus Celsius, transformando um recurso já reconhecido pelas suas propriedades terapêuticas numa fonte de energia limpa e renovável.

Com a entrada em funcionamento da central, a energia térmica produzida passará a abastecer os dois balneários públicos das Termas de São Pedro do Sul — Rainha D. Amélia e D. Afonso Henriques — bem como 13 unidades hoteleiras localizadas na estância termal. O impacto esperado traduz-se numa redução significativa dos custos energéticos, maior competitividade das empresas locais e diminuição da pegada carbónica associada à atividade turística e termal.

Durante a inauguração, o presidente da Câmara Municipal de São Pedro do Sul, Pedro Mouro, destacou o percurso do concelho na adoção de energias renováveis, sublinhando que o município já apresenta um saldo positivo na produção de energia limpa através da hídrica, da eólica e, agora, também da geotermia. Para o autarca, este investimento reforça uma estratégia de desenvolvimento sustentável que procura conciliar crescimento económico, inovação tecnológica e valorização dos recursos naturais do território.

Jean Barroca salientou, por sua vez, o carácter singular do recurso geotérmico existente em São Pedro do Sul, considerando que a nova central constitui um exemplo de como é possível aproveitar recursos endógenos para responder aos desafios da transição energética. Ao contrário de outras fontes renováveis, a geotermia disponibiliza calor de forma contínua e estável durante todo o ano, fator que lhe confere uma relevância crescente no contexto da descarbonização da economia.

A aposta na geotermia não surge, contudo, de forma isolada. As Termas de São Pedro do Sul têm vindo a afirmar-se como uma referência nacional na promoção de modelos de gestão mais sustentáveis e participam atualmente em projetos europeus dedicados à valorização ambiental e energética das águas termais, como o ThermEcoWat. Esta estratégia procura garantir que um património com mais de dois mil anos de história continue a ser uma fonte de saúde, bem-estar e desenvolvimento económico para as gerações futuras.

Mais do que uma obra de engenharia, a nova Central Geotérmica simboliza a capacidade de reinventar um recurso ancestral à luz das exigências do século XXI. Em São Pedro do Sul, a mesma água que há séculos atrai visitantes pelas suas propriedades terapêuticas passa agora também a aquecer edifícios, reduzir emissões e contribuir para um futuro mais sustentável.