Sábado – Pense por si

Escolha a Sábado como "Fonte Preferida"

Veja as nossas notícias com prioridade, sempre que pesquisar no Google.

Adicionar fonte

Doentes oncológicos em Portugal são dos que mais esperam por fármacos inovadores

Lusa 18:09
As mais lidas

Apenas na Roménia, Lituânia e Estónia é preciso esperar mais tempo do que em Portugal para encontrar no mercado um novo fármaco.

Os doentes portugueses são dos que mais esperam para ter acesso a medicamentos inovadores para o tratamento do cancro, segundo um estudo europeu que mostra que em Portugal é preciso aguardar 919 dias.

IPO Lisboa
IPO Lisboa José Santos/CMTV

Um grupo de investigadores quis perceber quanto tempo demorava a chegar ao mercado um novo fármaco para o cancro e para isso analisou o percurso dos 56 novos tratamentos que foram aprovados desde 2021. Os resultados divulgados agora colocam Portugal entre os piores.

Apenas na Roménia, Lituânia e Estónia é preciso esperar mais tempo do que em Portugal para encontrar no mercado um novo fármaco para o cancro, revela o relatório realizado pela Federação Europeia das Indústrias e Associações Farmacêuticas (EFPIA).

Na Estónia, os pacientes esperam em média 1.227 dias depois de o medicamento ser autorizado, mais 199 dias do que na Lituânia, onde o tempo médio de espera são três anos. Já na Roménia, demora em média 925 dias.

Portugal surge em 4.º lugar neste 'ranking' liderado pela Alemanha: São quase três anos que separam o tempo de espera de um doente em Portugal (919 dias) de um na Alemanha (47 dias).

A desigualdade no acesso aos novos medicamentos é visível no relatório, que alerta também para o facto de que nem todos os 56 novos fármacos estavam disponíveis no início deste ano.

A Alemanha lidera também este 'ranking' com 91% dos fármacos autorizados desde 2021 já acessíveis, enquanto a Turquia surge no extremo oposto, com apenas 7%.

Nesta análise, Portugal destaca-se pela positiva, tendo já no mercado nacional 61% dos novos medicamentos, ao lado de países como a Suécia, Eslovénia, Polónia e Bélgica, e 10 pontos percentuais acima da média europeia (51%).

No entanto, os portugueses com doenças raras são os que mais esperam por novos fármacos oncológicos dos 36 países analisados: São precisos 859 dias desde que é dada autorização para a sua comercialização.

Mais uma vez, os doentes alemães são os têm mais rápido acesso, esperando em média apenas 44 dias, ou seja, é uma diferença de mais de dois anos em relação aos portugueses.

O estudo mostra que a média europeia é de 614 dias para medicamentos para doenças oncológicas raras e sublinha que também aqui nem todos os novos fármacos estão disponíveis.

A Alemanha é o país que disponibilizou mais medicamentos inovadores para as doenças raras (97%), segundo uma tabela em que Portugal surge em 8.º lugar (56%). No final do 'ranking' aparece a Turquia (5%).

Sobre os medicamentos raros que não são dirigidos para o cancro, a situação é mais grave, já que em média apenas 39% dos novos fármacos estão disponíveis.

O relatório da Federação Europeia das Indústrias e Associações Farmacêuticas (EFPIA) aponta para "um cenário de desigualdade crescente" no acesso e disponibilidade dos medicamentos inovadores na Europa.