Artemis e Chang'e são nomes de deusas da Lua e os nomes das missões que a China e os Estados Unidos têm em curso para meter pés no satélite natural da Terra.
Agências espaciais de todo o mundo ganharam, nos últimos anos, um renovado fôlego na conquista de novas fronteiras interplanetárias. Têm-se destacado as missões não tripuladas a Marte, onde neste preciso momento registam imagens e recolhem dados os “rovers” da NASA Curiosity e Perserverance. Mas é a Lua que volta a estar em destaque, em particular com a missão norte-americana Artemis II que voltou a aproximar os humanos do satélite natural. E a China está à espreita.
Missão Artemis II da NASA à LuaAP
Já passaram bem mais de cinco décadas desde que a Rússia e os Estados Unidos da América (EUA) competiram por serem pioneiros na conquista do espaço mais próximo. O primeiro homem no espaço foi o russo Yuri Gagarin, em 1961, mas a primeira missão a chegar à Lua hasteou a bandeira norte-americana no solo lunar. Em 1969, a missão Apollo 11 ficou para a história, assim como a frase do astronauta Neil Armstrong quando se tornou a primeira pessoa a pisar a Lua: “Um pequeno passo para o Homem, um grande passo para a humanidade”. Seguiram-se outras missões à Lua, tripuladas, e a última foi a Apollo 17, em 1972. Mais de cinco décadas depois, a NASA planeia o regresso com o projeto Artemis (nome da deusa grega da Lua), cuja segunda missão já deu a volta à Lua e voltou na madrugada de 11 de março (hora portuguesa). O plano tem várias fases e o regresso da humanidade ao satélite natural mais próximo está planeado para o início de 2028. A China planeia fazer o mesmo, mas aponta para 2030. Só que desta vez, querem todos lá ficar.
Com os pés na Lua
“A NASA está a melhorar o programa Artemis para colocar os Estados Unidos num caminho claro e viável para o regresso dos astronautas à Lua, desta vez para ficar. A abordagem atualizada baseia-se em princípios comprovados da era Apollo e centra-se na construção de uma arquitetura acessível e replicável, capaz de suportar missões tripuladas frequentes e seguras à superfície lunar durante décadas no futuro”.
O comunicado partilhado pela NASA em Março anunciou uma atualização da cronologia do programa, acrescentando uma missão de teste, a Artemis III (inicialmente projetada para incluir alunagem) e sinalizando que a NASA se encontra a preparar para missões lunares tripuladas semestrais após a Artemis V, no final de 2028. Uma “arquitetura de transporte lunar”, diz a agência espacial, que nas últimas duas décadas representou um investimento de mais de 100 mil milhões de euros da NASA “e seus parceiros”.
Recrutamento privado
O que em tempos foi um exclusivo das agências espaciais, organizações governamentais com financiamento público, conta hoje com o apoio de empresas privadas viradas para as estrelas. E são bem conhecidas: a SpaceX, de Elon Musk; e ainda a Blue Origin, de Jeff Bezos. Ambas as empresas são parceiras da NASA, cujo recurso às empresas privadas passa pela redução de recursos e riscos, enquanto continua a liderar a exploração espacial.
No final de janeiro, a Blue Origin anunciou que iria suspender, no mínimo por dois anos, as viagens comerciais (como a que levou Mário Ferreira mais além) para se dedicar ao regresso dos humanos à Lua. Em concreto, a NASA, através do programa Artemis, contratou a Blue Origin para, até final de 2027, levar um rover chamado VIPER até ao Polo Sul da Lua, um equipamento que irá procurar recursos importantes, como gelo (água), e recolher dados científicos que podem ser úteis em futuras missões espaciais, incluindo a ida a Marte.
Já a parceria com a SpaceX envolve uma nave espacial com 52 metros de altura, chamada Starship. Com um volume de habitat de 613 metros cúbicos, será bastante maior do que o modulo lunar das missões Apollo, que tinha sete metros de altura e 4,5 metros cúbicos. Mas ainda é cedo para apontar uma data para que a missão alune em segurança com tripulação. Concebida para permitir uma presença humana permanente na Lua, os primeiros voos à superfície lunar levarão apenas carga e devem começar em 2028 as suas missões de pesquisa, desenvolvimento e exploração.
A ambição chinesa
Em outubro do ano passado, a China revelou o calendário: quer meter os seus astronautas na Lua em 2030. Certo é que a data anunciada fica a dois anos de distância do plano norte-americano, mas não está a anos-luz. “Atualmente, cada programa de investigação e desenvolvimento para levar um ser humano à Lua está a progredir sem problemas”, disse Zhang Jingbo, citado pela Associated Press, porta-voz do Programa Espacial Tripulado da China, enumerando o foguetão Longa Marcha 10, os fatos lunares e o veículo de exploração como exemplos de esforços frutíferos neste sentido. “O nosso objetivo de levar um ser humano à Lua até 2030 permanece inalterado.”
Mas a aventura espacial da China não começa agora. Em 2024, por exemplo, o país lançou a segunda sonda lunar rumo à Lua. A Chang'e-6 fez uma viagem de dois meses ao seu lado mais longínquo, trazendo amostras com potencial para desvendar questões fundamentais sobre a formação dos planetas. No projeto Chang'e (nome da deusa da Lua na mitologia chinesa) está integrada a ambição da China em alcançar o estatuto de superpotência espacial - atualmente apenas superada pelos EUA - passa por construir uma estação de investigação científica no Polo Sul lunar.
Apesar de estarem em vigor colaborações da China National Space Administration (CNSA) com outras agências espaciais, nomeadamente a European Space Agency (ESA), em 2011 a China não integra a equipa da Estação Espacial Internacional desde 2011, ano em que a NASA foi proibida de colaborar com a CNSA, devido a preocupações relacionadas com segurança e transferência de tecnologia. Como consequência, a China criou a sua própria estação, batizada de Tiangong, promovendo um programa espacial totalmente autónomo. O que alimenta a competição das duas grandes deusas da Lua na mais emocionante corrida ao espaço da história da humanidade, com Marte no horizonte.
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