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Resoluções para 2026? Saiba porque costumam ficar para trás e como evitar desistir

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Em média, as resoluções de ano novo duram entre dois a quatro meses. Definir metas realistas, priorizar a consistência e partir de um desejo genuíno de mudança pode fazer com que elas durem até 2027.

Assim que o relógio bateu meia-noite no dia 1 de janeiro muitas pessoas começaram a pensar nas resoluções para 2026. Mas antes de entrar no novo ano com o pé direito e com uma mão cheia de objetivos, é importante perceber o porquê de os querer atingir, assim como determinar metas realistas para que não os deixe para trás. 

Pessoas celebram 2026 com óculos festivos
Pessoas celebram 2026 com óculos festivos AP

Um estudo realizado pela  sobre a duração e o género de resoluções feitas em 2023 determinou que, em média, a intenção de as manter dura entre dois a quatro meses, antes que as pessoas desistam delas. Para cerca de 8% dos inquiridos as resoluções duraram apenas um mês, para 21,9% duraram dois meses, para 22,2% três meses e para 13,1% duraram quatro meses. 

Para a psicóloga Catarina Lucas a explicação para o fenómeno de se desistir das resoluções de ano novo rapidamente é clara. “A maioria delas é feita num contexto emocional específico: o balanço do ano, a comparação com os outros, a sensação de 'tenho de mudar' no próximo ano e a necessidade de fazer algo novo ou diferente no ano que entra”, explica à SÁBADO. Contudo, o problema com estes objetivos é que “não partem de um desejo genuíno, mas de expectativas externas ou de uma relação crítica connosco próprios” e muitas vezes acabam por ser “demasiado ambiciosas, vagas ou desconectadas da rotina real”. 

Porque se definem resoluções no início do ano?

Catarina Lucas destaca que esta altura do ano “cria a perceção de rutura com o passado e a ideia de que estamos a começar de novo, o que aumenta temporariamente a motivação e a esperança de mudança”. Ao longo do ano podemos estar distraídos com outras atividades, “imersos na rotina e na gestão do dia-a-dia”, o que acaba por reduzir a nossa capacidade de foco nas resoluções que foram criadas. “O Ano Novo legitima socialmente a mudança e cria um momento coletivo de introspeção”, destaca.

Já a psicóloga Ângela Rodrigues acredita que esta reflexão e estabelecimento de metas e objetivos deve ser feita ao longo do ano e não apenas no início de um novo “ciclo”. Pela natureza da interpretação que é dada aos fins e início de ciclos, como é o caso da passagem de ano, ou aniversários, “há mais tendência a fazer um balanço”. Contudo, estas alturas podem servir como uma “válvula de escape”, onde acaba por haver uma projeção para o ano seguinte de algo que se quer alcançar e que não foi possível no ano anterior.

Medo do desconforto que vem com a mudança

Em muitos casos o deixar uma resolução para trás “está associado ao medo da mudança, mas não no sentido dramático de 'não querer mudar'", afirma Catarina Lucas. O que acontece é um certo “receio do desconforto, da frustração e da instabilidade que qualquer mudança implica”. Assim que o desconforto surge, “e surge sempre”, destaca, “o cérebro tende a procurar o que é familiar e seguro, levando-nos a regressar rapidamente aos hábitos antigos, mesmo que não sejam os mais saudáveis”.

Estabelecer metas realistas

Para a psicóloga Ângela Rodrigues, a falha por se não alcançar estas metas não vem necessariamente de uma “falta de força de vontade nem motivação” inicial e tudo depende da forma como se definem os objetivos. “Há no início uma motivação mas a forma como são estabelecidas [as resoluções] é demasiado vaga, ambiciosa e irrealista, desconectada da rotina diária”, explica.

É necessário portanto, tornar estas intenções vagas em “comportamentos e atitudes pequenas e sustentáveis ao longo do ano, tornar estes objetivos mais concretos, mais realistas e integrá-los no dia a dia com mudanças pequenas das duradouras”. Por exemplo, podemos definir como objetivo ‘fazer exercício físico’, mas acaba por ser uma ação vaga. O importante é definir algo “mais pequeno”, como ‘caminhar 20 minutos duas vezes por semana’. “É preciso balizar pequenos procedimentos até chegar ao resultado, focar mais no processo de forma a que ele seja possível, com objetivos possíveis”, explica a especialista, “para não ter a frustração de acordar em dezembro sem ter feito nada”. 

Catarina Lucas também acredita que estabelecer metas realistas é importante mas destaca que esse facto não é sinónimo de metas “pouco ambiciosas”. Significa apenas que devem ser “ajustadas à fase de vida, aos recursos emocionais e ao quotidiano de cada pessoa”. “Quando os objetivos são demasiado exigentes ou vagos, geram frustração e abandono”, explica, enquanto metas realistas “permitem criar pequenas vitórias consistentes, que reforçam a autoconfiança e tornam a mudança mais sustentável ao longo do tempo”. 

Priorizar consistência e não “mudanças radicais”

Há ainda uma expetativa de mudança “demasiado rápida que não é compatível com a execução ao longo do ano, não há um plano de execução passo a passo para que seja implementado esse processo de mudança, não há uma ponte”, explica Ângela Rodrigues.

A psicóloga destaca a importância em aceitar falhas, “aceitar que as coisas nem sempre correm como queremos”. “Muitas vezes olhamos para o cenário e projetamos um cenário perfeito, mas ao longo do ano há por vezes uma falta de motivação, estamos cansados, e ao não aceitarmos as falhas, à primeira que acontecer vai haver uma tendência para desistir”, esclarece. 

De forma a concretizar as resoluções “é essencial traduzi-las em ações concretas e mensuráveis, em vez de intenções vagas”, acrescenta Catarina Lucas, que acredita que “pequenos passos consistentes” trazem mais eficácia do que “mudanças radicais”. Para além disso, “a mudança sustenta-se quando passa a fazer parte da rotina diária e quando existe uma atitude de curiosidade e compaixão consigo próprio”, conclui. 

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