No Afeganistão, está aberta a guerra aos salões de beleza

No Afeganistão, está aberta a guerra aos salões de beleza
Raquel Lito 09 de outubro

Desde a ocupação talibã, as mulheres perdem o rosto na via pública – e a maquilhagem. As montras que antes exibiam o ideal feminino agora são censuradas a tinta.

Ser maquilhadora em Cabul, no Afeganistão, é viver como uma fugitiva. O futuro profissional de Afsoon (nome fictício) é incerto por defender a cara destapada, sem burcas opressivas. O salão de beleza onde trabalhava é mais um alvo a abater pelo regime talibã e não recebe ordenado desde 24 de agosto. A misoginia vê-se à distância, nas montras, com os cartazes de noivas maquilhadas a serem cobertos de tinta.

O primeiro a dar-se conta da censura foi o jornalista Nangyalai Tanai, que revelou na sua conta do Twitter, às 11h49 de 15 de agosto, que o Estado islâmico voltava a perder o rosto, porque as mulheres apenas o poderiam mostrar nos cartões de identidade e passaportes. Acompanhava o texto com a imagem de um homem a pintar o cartaz de uma noiva.

A mulher deixa de ter rosto na via pública, como denuncia Afsoon, a maquilhadora outrora com uma carreira de sucesso, que agora se esconde para sobreviver. Fala à BBC por telefone, sussurrando: “Eles não aprovam caras descobertas ou pescoços de mulheres expostos. Não tenho medo de morrer, mas não quero ficar assim, apavorada e sem esperança.” Logo quando o regime talibã ocupou o palácio presidencial de Cabul, Afsoon recebeu um telefonema de uma colega. Eram 10h, a mensagem curta e aterradora: “Vamos fechar. Acabou.”

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