Investigação

Dina e Mena, os dois amores de Otelo

Luís Pedro Cabral 08 de setembro

Até ao último dos seus dias, Otelo conduziu uma revolução. Não aquela que todos sabemos. A outra, de que ninguém quer falar: ousou amar duas mulheres, sem abdicar de nenhuma. Uma vivia em Oeiras, a outra em Carnaxide. Dina e Mena evitaram-se sempre e os filhos zangaram-se com Otelo e só voltaram a estar com ele dias antes da morte.

Otelo era um transgressor sem sentido de transgressão, capaz de racionalizar o que os outros podiam considerar irracional. Podia ter sido um protótipo da extraconjugalidade, uma espécie de agente secreto do amor. Podia ter sido um ator.

Se a assunção da sua bigamia foi um enorme ato de coragem, este não foi menor da parte de Maria Dina Afonso Alambre de Carvalho, com ele mais de 60 anos, partilhando o melhor e o pior, a guerra, a morte de uma filha, a revolução, a prisão, os filhos, os netos. Assim como não foi menor a coragem de Mena, que esteve com Otelo 34 anos, até ao fim, no crónico papel da “outra”.

Otelo vivia com Dina de sexta a domingo, com Mena de segunda a quinta-feira. Primeiro transformou-se num hábito, depois num modo de vida, que todos eles aceitavam. Nisto, há uma inegável revolução. De início, Mena vivia com a filha no Barreiro. Dina, no domicílio de sempre, em Oeiras.

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