O xá Mohammad Reza Pahlavi e a mulher, Farah Diba, partiram para o exílio em 1979. Passaram por vários países mas com a morte de Pahlavi, Farah estabeleceu-se em Paris. Juntos tiveram quatro filhos, mas dois morreram: um suicidou-se e a outra foi encontrada morta junto a cocaína.
Já quase meio século passou (mais precisamente 47 anos) desde que a família Pahlavi partiu para o exílio, mas muitos ainda recordam Farah Diba - a viúva do xá Mohammad Reza Pahlavi - como uma figura emblemática. Apesar de ter passado por diversos países, foi em Paris que decidiu estabelecer o seu lar e acompanhar todas as notícias do Irão, a cujo povo recentemente deixou uma mensagem de esperança. "O que será decisivo é a capacidade do povo iraniano de se unir em torno de uma transição pacífica, ordenada e soberana para um Estado governado pelo Estado de Direito”, disse, em entrevista à agência de notíciasFrance Presse.
Mohammad Reza Pahlavi e Farah Diba Pahlavi passam férias num resortFoto AP/Jassy
Farah Diba
Farah Diba era uma jovem estudante de arquitetura em Paris quando conheceu o xá Mohammad Reza Pahlavi na embaixada iraniana. Apaixonaram-se à primeira vista, mas o namoro só passou a ser conhecido quando se casaram no Salão dos Espelhos do Palácio Golestan, em Teerão, - que agora apresenta danos devido à guerra -, em dezembro de 1959. Farah tornava-se a terceira esposa do xá num vestido de Yves Saint Laurent, criado especialmente para ela.
Conhecida como a "Grace Kelly persa" pelo seu estilo, Farah era muito mais do que uma imperatriz elegante. Onde quer que fosse, as pessoas atropelavam-se para lhe tocar e apelidavam-na como a “imperatriz dos corações”. Foi a primeira a apoiar as leis que favoreciam a emancipação feminina, como o direito ao voto e ao divórcio... até à queda da monarquia.
Tudo mudaria para sempre a 16 de janeiro de 1979 - ano em que a família partiu para o exílio. "Talvez seja melhor se partirmos", dizia à Point de Vue, sem saber que se estava a despedir em definitivo do povo iraniano. Em frente aos portões do palácio forma vários os funcionários que se despediam com acenos e lágrimas nos olhos, enquanto as câmeras capturavam o momento. "Percebi que estava a deixar tudo para trás: a minha família, a minha casa, o meu país. Naquele momento tornávamo-nos verdadeiros exilados, andando de país em país", recordou, citada pela revista ¡HOLA!.
Num Boeing 727, pilotado pelo próprio Mohammad, rumaram primeiro em direção a Assuã, no Egito, - o único país que lhes ofereceu asilo - depois a Marraquexe, em Marrocos, Bahamas, e a Cuernavaca, no México.
Tudo isto acontecia enquanto o estado de saúde do xá se deteriorava. Mohammad Reza Pahlavi tinha um cancro linfático, mas na altura o seu diagnostico não foi divulgado publicamente. Foi, por isso, submetido a uma cirurgia nos Estados Unidos, tendo regressado ao Egito, em março de 1980. Acabou por morrer no cidade do Cairo, a 27 de julho daquele mesmo ano, ansiando um dia regressar. Deixou para trás quatro filhos: Farahnaz, Reza, Alireza e Leila.
As tragédias pareciam, contudo, continuar assombrar a família Pahlavi. Em junho de 2001, Farah teve de lidar com a morte da filha Leila, que foi encontrada morta num hotel em Londres, aos 31 anos, rodeada de garrafas vazas, cocaína e comprimidos, e a 4 de janeiro de 2011 com a morte de Ali Reza - que teve uma filha, Iryana Leila, nascida no mesmo ano. Suicidou-se aos 44 anos, depois de uma longa luta contra a depressão.
Farah, hoje com 87 anos, acabou por fazer de Paris o seu lar. Começou a praticar ioga e meditação, que a ajudaram a superar a dor da perda dos dois filhos e do marido. É a partir de lá que também acompanha diariamente as notícias sobre o Irão, disse numa entrevista à revista ¡HOLA! há alguns anos.
Reza Pahlavi, o filho
Depois da coroação do pai, em 1967, Reza tornou-se o oficialmente o príncipe herdeiro. Reza estava no Texas, nos Estados Unidos, a concluir o treino de piloto quando os pais partiram para o exílio. E como consequência, também ele ficou impossibilitado de regressar ao Irão. Embora se tenha estabelecido nos Estados Unidos - onde estudava Ciência Política na Universidade do Sul da Califórnia -, nunca deixou de ser a voz da família e da monarquia.
Em 1986 casou com Yasmine Etemad-Amini. Na altura, ela tinha apenas 17 anos e ele 25, mas partilhavam uma história semelhante. Yasmine também era iraniana e a sua família foira obrigada a fugir do país após o início da Revolução de 1979. Acabaram por formar família em Washington e tiveram três filhas: Noor, Iman e Farah.
Há seis anos a advogada conseguiu superar um cancro da mama e, recentemente, publicou um vídeo nas suas redes sociais a demonstrar apoio ao povo iraniano.
Noor, Iman e Farah: as princesas influencers
Em 1992, Reza e Yasmine tiveram a sua primeira filha, Noor - que acabou por estudar psicologia em Georgetown e trabalhar no setor financeiro em Nova Iorque, onde vive atualmente.
Com 34 anos, a princesa é conhecida pelo seu estilo, que recorda o da sua avó Farah, e acabou por fazer das redes sociais - onde possui mais de dois milhões de seguidores - uma plataforma para falar de causas sociais. É hoje ativista de direitos humanos e fala várias vezes sobre a situação no Irão.
Noor é apenas um ano mais nova do que a sua irmã Iman, que também se licenciou em Psicologia e Comunicação. Também ela mora em Nova Iorque e, no ano passado, casou-se com o empresário Bradley Sherman, numa cerimónia íntima perto do Arco do Triunfo em Paris, que reuniu a família exilada.
Já Farah, de 22 anos, é a irmã mais nova e apaixonada por viagens.
O mistério de Farahnaz
Farahnaz é a única das irmãs que não possui redes sociais nem concede entrevistas, sendo a sua vida considerada um mistério. Filha mais velha, é formada em serviço social e especializada em Psicologia Infantil e ligada às causas sociais.
A última vez que foi vista foi esta semana, quando apareceu inesperadamente numa manifestação em Munique, em apoio aos direitos humanos no Irão, com a bandeira do reinado de Pahlavi. Farahnaz nunca casou nem teve filhos.
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