Como José Rodrigues dos Santos está a abalar toda a civilização ocidental

Como José Rodrigues dos Santos está a abalar toda a civilização ocidental
Marco Alves 02 de outubro de 2017

Maria não era virgem, Colombo era português, Deus tem uma fórmula, há ADN de Jesus, Humberto Delgado foi salazarista, etc, etc, etc.... O bestseller português tem novo livro - um pretexto para tomar pulso ao Universo

A obra romanesca de José Rodrigues dos Santos pode ser resumida por uma expressão que o autor gosta de usar em entrevistas, com uma ou outra variação nos termos: "Pouca gente sabe". É um padrão no discurso e o material genético das suas personagens. José Rodrigues dos Santos convida os leitores para uma sala e subitamente apaga-lhes a luz – o livro aparece para alumiar, é a lanterna, o utensílio intermédio.

Não é necessário ir mais longe do que a As Flores de Lótus – livro saído em 2015 como a primeira parte de uma trilogia que agora se encerra com O Reino do Meio –, quando um aluno pergunta ao professor Baptista.

– E o que descobriu Marx?

– Marx não descobriu nada.
– Nada? Então e o marxismo?
– O marxismo não foi criado por Marx, mas por Engels. Essa expressão é por isso abusiva. Em bom rigor devíamos chamar-lhe engelismo, não marxismo.
– Mas toda a gente fala em Marx...
– É verdade, mas fazem-no incorrectamente.

Segue-se uma longa explicação do professor. Não é difícil perceber neste diálogo que Baptista é o próprio José Rodrigues dos Santos e que o aluno é o leitor. Nota-se nas entrevistas esta função em que o escritor se investiu junto do seu público de revelar o que este "não sabe".

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