A próxima edição do Peixe em Lisboa em cinco filetes

Tiago Pais 28 de março de 2018

O maior evento gastronómico da capital regressa ao Pavilhão Carlos Lopes de 5 a 15 de Abril. Para uma melhor digestão do que por lá se vai passar, filetámos o evento em cinco postas delgadas. Sem espinhas

Primeiro filete: os restaurantes
Tal como em anos anteriores, a organização optou por não mudar radicalmente o alinhamento dos restaurantes convidados. Mas há novidades. E seminovidades.
O totalista Ribamar, de Hélder Chagas, continua a sê-lo. É o único pela forma "como representa Sesimbra, sempre com grande sucesso", refere Duarte Calvão, director do festival. A acompanhá-lo na turma de repetentes estão os sabores luso-moçambicanos do Ibo, de João Pedro Pedrosa, a cozinha francesa clássica de Pascal Meynard, chef do Ritz Four Seasons, as tapas criativas de Sergi Arola e os ceviches e pokes de Kiko Martins.
As duas seminovidades são-no porque ambos os chefs têm novos espaços a seu cargo: Paulo Morais e André Magalhães vêm mostrar a cozinha que andam a praticar, respectivamente, em Kanazawa e Taberna Fina.
Já novidades absolutas são três: Casa do Bacalhau, vencedor do concurso "Melhor Patanisca de Lisboa", o estrela Michelin Loco, de Alexandre Silva, e Mariscador, o restaurante que o ribatejano Rodrigo Castelo se prepara para abrir nas próximas semanas, onde não deverão faltar criações à base de peixe e marisco do rio.

Segundo filete: as apresentações
Já viu a Chef's Table? Se não viu, devia ver. Se já viu um episódio, devia ver mais. Se já viu todos, então o nome Ana Ros dir-lhe-á qualquer coisa. A eslovena, considerada a melhor chef feminina do mundo em 2017 pelo World's 50 Best Restaurants, e figura de um dos episódios da segunda temporada da série da Netflix, é a grande estrela do cartaz: apresenta-se ao público a 10 de Abril.
De Londres vêm Ashley Palmer-Watts (8 de Abril), discípulo de Heston Blumenthal, actualmente à frente do biestrelado Dinner, e Andrew Wong (11 de Abril), um filho de imigrantes chineses que, após a morte do pai, abandonou o curso de Antropologia Social para se dedicar a algo que cresceu a odiar: os restaurantes. Hoje tem uma estrela Michelin no seu A Wong e prepara-se para abrir um segundo espaço.
O franco-italiano Anthony Genovese (9 de Abril), do romano Il Pagliaccio, duas estrelas Michelin, e o ex-militar galego Iván Domínguez (13 de Abril), do Alborada, na Corunha, completam a lista de presenças internacionais.
No que aos portugueses diz respeito, destaque para o inevitável José Avillez (12 de Abril) - será que anunciará no festival um novo restaurante como fez em 2017? -, para João Rodrigues (15 de Abril), do Feitoria, e para uma colecção de jovens promessas, como João Oliveira (6 de Abril), Tiago Bonito, Vasco Coelho Santos (ambos a 7 de Abril) e uma dupla de Diogos: Rocha e Noronha (ambos a 14 de Abril).

Terceiro filete: as actividades
Sejamos francos, qualquer debate com a presença de Ljubomir Stanisic promete à partida, mesmo que o tema seja software de facturação, fornos de convecção ou talheres de peixe. Não é o caso: Ljubo, Henrique Sá Pessoa e Kiko Martins vão falar sobre "Chefes na TV", logo no segundo dia do evento, 6 de Abril, às 15h. O segundo debate do festival acontece a 10 de Abril, à mesma hora, e reúne profissionais de comunicação ligados a esta área, que vão discutir as dinâmicas entre restaurantes, agências, jornalistas e bloggers, e a forma como afectam aquilo que se lê sobre gastronomia hoje em dia.
De regresso, para mais um ano, estão três eleições. Duas de longa data: a do Melhor Pastel de Nata (11 de Abril), que no ano passado elegeu a pastelaria Pãozinho das Marias, na Ericeira, e a do Jovem Talento da Gastronomia (12 de Abril), organizada em parceria com as Edições do Gosto. A terceira é a da Melhor Patanisca, que se estreou em 2017 com a vitória da Casa do Bacalhau. Mudará o ceptro de mãos? Segundo Virgílio Nogueiro Gomes, o gastrónomo responsável por estas eleições, há cada vez mais candidatos a surgir, pelo que a competição se prevê feroz.
A lista de eventos dentro do evento não acaba aqui: ao longo do festival, a Ciência Viva irá promover diversas sessões focadas na pesca sustentável e no consumo de espécies não ameaçadas como o carapau. Carapau esse que, no último dia do Peixe em Lisboa, será manejado por três grandes chefs nacionais - Bertílio Gomes, João Rodrigues e Pedro Almeida - de forma a ficar demonstrado todo o potencial gastronómico da espécie. O público poderá, no final, provar as suas criações.

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