Nigéria diz que frustrou "plano sinistro" do Boko Haram

Lusa 09 de setembro de 2017
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O grupo radical Boko Haram alegadamente previa fazer uma série de ataques coordenados em vários estados do país africano

A Nigéria anunciou hoje ter frustrado um "plano sinistro" do grupo radical Boko Haram que previa fazer uma série de ataques coordenados em vários estados do país.

Getty Images
"O plano era de realizar ataques armados e atentados-suicida com explosivos no território federal, nos estados de Abuja, Kano, Kaduna, Niger, Bauchi, Yobe e Borno", afirmou Tony Opuiyo, porta-voz da agência nacional de informação.

O presumível cérebro destes ataques planeados, conhecido como Husseini Mai-Tangaran, foi preso a 31 de Agosto na cidade do norte de Kano, fazendo com que vários outros jihadistas fossem presos, segundo a mesma fonte.

Mai-Tangaran é apresentado como um especialista em explosivos, um comandante "bem conhecido" do ramo do Boko Haram dirigido por Abu Mus'ab al-Barnawi, a facção reconhecida pelo grupo extremista Estado Islâmico.

De acordo com o Governo nigeriano, ele está também envolvido no ataque contra a mesquita de Kano, em Novembro de 2014, que causou mais de 120 mortos.

Apesar de os serviços de segurança nigerianos anunciarem frequentemente terem frustrado planos do Boko Haram, essas prisões raramente são seguidas por julgamentos e condenações judiciais.

Mas, se os anúncios das autoridades fossem confirmados, isso demonstraria que os combatentes islâmicos recuperaram confiança nas suas capacidades militares.

Os ataques recentes indicam que a capacidade de incómodo do Boko Haram ainda persiste.

Pelo menos sete pessoas morreram num ataque contra um campo de deslocados em Ngala (nordeste da Nigéria), perpetrado pelo Boko Haram, segundo habitantes e milícias que combatem os rebeldes.

Este campo, perto da fronteira com os Camarões, abriga 80 mil pessoas.

Em ataques distintos, na quarta e na quinta-feira, membros do Boko Haram mataram oito pessoas em ataques contra aldeias agrícolas nos arredores de Maiduguri, bastião histórico dos jihadistas.

A rebelião do Boko Haram, que dura há mais de oito anos, causou cerca de 20 mil mortos e 2,6 milhões de deslocados, além de uma crise humanitária.

De acordo com as Nações Unidas, perto de dois milhões de pessoas sofrem de subnutrição aguda e 6,9 milhões precisam de assistência humanitária, no nordeste da Nigéria.

Na terça-feira, a organização de defesa dos direitos humanos declarou o aumento dos ataques do Boko Haram fez perto de 400 vítimas civis desde Abril, "mais do dobro dos cinco meses anteriores" na Nigéria e nos Camarões.
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