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Migrações: Entradas irregulares na UE caíram 35% nos primeiros oito meses do ano

Lusa 11 de setembro de 2026 às 12:32
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A agência refere que se verificou uma diminuição em "praticamente todas as principais rotas migratórias", com exceção do Mediterrâneo Ocidental, que engloba o sul de Espanha.

As entradas irregulares na União Europeia caíram 35% entre janeiro e agosto deste ano, em comparação com o mesmo período em 2025, apesar de se ter verificado um aumento dos fluxos pelo sul de Espanha.

Militares transportam migrantes em Ceuta, Espanha
Militares transportam migrantes em Ceuta, Espanha Foto AP/Antonio Sempere

Em comunicado, a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex) indica que, nos primeiros oito meses do ano, registaram-se cerca de 75 mil deteções de entradas irregulares na União Europeia (UE), menos 35% do que em 2025.

A agência refere que se verificou uma diminuição em "praticamente todas as principais rotas migratórias", com exceção de uma: a do Mediterrâneo Ocidental, que engloba o sul de Espanha.

Apesar de estes números hoje divulgados pela Frontex não incluírem a entrada de milhares de migrantes em Ceuta em 30 e 31 de julho -- pelo menos 72 mil, segundo o Governo espanhol --, a agência indica que, no Mediterrâneo Ocidental, se registou um aumento de 34%, com 15.909 deteções de entradas.

Nesta rota, a "Argélia foi o principal ponto de partida, com as ilhas Baleares e o território continental espanhol a serem os principais destinos", refere a Frontex.

"A pressão aumentou significativamente em julho, quando a rota atingiu o valor mensal mais elevado dos últimos três anos, antes de voltar a diminuir em agosto", salienta a agência, que acrescenta que o aumento de entradas irregulares nesta região mostra uma "mudança nas rotas utilizadas pelos traficantes".

"O reforço dos controlos em Marrocos e nas rotas vizinhas da África Ocidental e do Mediterrâneo Central levou a que mais partidas fossem direcionadas para as costas argelinas", explica a Frontex.

Em todas as restantes rotas migratórias analisadas pela Frontex, registou-se uma diminuição significativa em comparação com 2025.

A principal porta de entrada na UE continua a ser o Mediterrâneo Oriental, que abrange a costa da Grécia, com 24.239 entradas detetadas, uma diminuição de 25% em relação a 2025.

A maior queda verificou-se na rota da África Ocidental, para as Canárias, com 5.070 deteções, menos 58% do que em 2025.

O mesmo se verificou no Mediterrâneo Central, que engloba o sul de Itália, onde foram detetadas 19.411 entradas, menos 55% do que em 2025.

A Frontex salienta que, nesta rota, a Líbia é o ponto de partida para cerca de dois terços dos migrantes, embora note que "as operações de fiscalização, as campanhas de deteção" e os "retornos levados a cabo" pelas autoridades do país têm ajudado a reduzir os números.

No comunicado, a Frontex refere que, apesar de se estar a verificar uma redução no número de entradas irregulares na UE, "o custo humano" deste tipo de travessias "continua a ser elevado".

"Segundo a Organização Internacional para as Migrações, mais de 1.800 pessoas perderam a vida no Mediterrâneo desde o início do ano. Cada uma das mortes é um sinal dos riscos que as pessoas são levadas a correr", frisa a agência, que salienta que as redes de tráfico de migrantes utilizam "embarcações sobrelotadas e sem condições de navegabilidade".

Citado no comunicado, o diretor executivo da Frontex, Hans Leijtens, refere que há cada vez menos pessoas a tentar entrar na Europa, mas a crise de Ceuta mostrou que "uma fronteira tranquila pode mudar em apenas algumas horas".

"As redes de tráfico não desaparecem pelo facto de os números descerem. Adaptam-se e aguardam por uma brecha que possam explorar. O nosso papel é estar preparados quando a encontrarem", refere.

A agência explica que optou por não contabilizar os números da entrada de migrantes em Ceuta em julho porque "é pouco provável" que venha a ser estabelecido um "total definitivo" do número de pessoas que entraram no enclave, uma vez que a "maioria regressou a Marrocos sem ter sido registada".

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