Para além da energia, Birol está preocupado com o efeito que o bloqueio daquela passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã vai ter na circulação de outras matérias-primas, com impacto potencial na economia mundial.
O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, avisou que, se o estreito de Ormuz não reabrir plenamente, a economia mundial poderá entrar numa "zona vermelha" já em julho ou agosto.
Estreito de OrmuzFoto AP/Fatima Shbair
Birol sublinhou que os efeitos vão sentir-se durante a época de viagens de verão, que coincide com a época de sementeira agrícola em muitos países.
"Podemos estar a entrar na zona vermelha em julho e agosto, se não se verificarem melhorias na situação", avisou, durante uma conferência do centro de estudos britânico Chatham House em Londres.
Segundo o diretor-executivo da AIE, as reservas libertadas para o mercado e os 'stocks' existentes ajudaram a amortecer o choque, mas não eliminam o risco de uma nova escalada, pois as reservas não têm sido reabastecidas devido à falta de movimento no estreito de Ormuz.
Lembrando as crises de 1973, 1979 e 2022 juntas, Birol disse que "esta crise é muito maior do que as três crises juntas".
Para além da energia, Birol está preocupado com o efeito que o bloqueio daquela passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã vai ter na circulação de outras matérias-primas, com impacto potencial na economia mundial.
"Uma enorme quantidade de outras mercadorias vitais passa pelo estreito de Ormuz, tais como fertilizantes, produtos petroquímicos, hélio e enxofre. E isto terá implicações significativas para o mundo, para a economia e para muitos países, especialmente os do mundo em desenvolvimento e emergente", salientou.
O responsável destacou que a subida dos preços da energia pode agravar os custos dos fertilizantes e do gasóleo, pressionando a agricultura e a inflação.
"Estou preocupado com o setor agrícola e com a alimentação. Temos muitas culturas importantes, mas três delas constituem a espinha dorsal do setor agrícola: o trigo, o arroz e o milho. E, quando analisamos estas culturas, cerca de 60% dos custos de produção provêm dos fertilizantes e do gasóleo. Os preços de ambos estão a subir", referiu.
O diretor da AIE disse que já é possível "ver os primeiros sinais de que os números da inflação estão a subir aqui e ali, e isto é apenas o começo".
"A minha grande esperança é que o estreito seja aberto, total e incondicionalmente", salientou.
Para acalmar os mercados, os 32 países membros da AIE anunciaram em março a libertação coordenada de 426 milhões de barris, ou seja, mais de um terço das suas reservas estratégicas, uma decisão sem precedentes.
No entanto, segundo a AIE, a paralisação do tráfego no estreito de Ormuz, relacionada com a guerra no Médio Oriente, já causou a perda de mais de mil milhões de barris de exportações provenientes dos produtores do Golfo, o que representa uma perda para o mercado de cerca de 14 milhões de barris por dia.
Nesta situação, e apesar das reservas estratégicas já libertadas, a AIE já tinha dado o alarme a 13 de maio sobre a redução "recorde" das reservas de petróleo à medida que a guerra no Médio Oriente se arrasta.
Sem uma resolução rápida do conflito, os preços do petróleo poderão disparar ainda mais.
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