PP espanhol perde maioria absoluta na Andaluzia, PSOE com pior resultado de sempre
A terceira força mais votada foi o Vox, de extrema-direita, com 13,8%, um resultado semelhante ao de há quatro anos, mas com o qual elegeu mais um deputado, passando a ter 15 no parlamento andaluz.
O Partido Popular espanhol (PP, direita) venceu as eleições regionais deste domingo na Andaluzia, mas perdeu a maioria absoluta que tinha, enquanto o Partido Socialista (PSOE), do primeiro-ministro, Pedro Sánchez, teve o pior resultado de sempre nesta região.
Quando estavam contados mais de 99% dos votos e o resultado já não poderia ter grandes alterações, o PP tinha 41,5% e 53 deputados eleitos, sendo que são necessários 55 para maioria absoluta.
O PP perdeu assim cinco deputados, depois de nas eleições anteriores (em 2022) ter conseguido 58 lugares do parlamento regional, numa maioria absoluta inédita da direita na Andaluzia, após 37 anos consecutivos de governo do PSOE.
Naquele que foi o maior bastião dos socialistas espanhóis, o PSOE teve hoje o pior resultado de sempre: 22,7%% e 28 deputados (menos dois do que tinha).
A terceira força mais votada foi o Vox, de extrema-direita, com 13,8%, um resultado semelhante ao de há quatro anos, mas com o qual elegeu mais um deputado, passando a ter 15 no parlamento andaluz.
Mas o partido que mais cresceu nas eleições de hoje foi o Em Frente Andaluzia ("Adelante Andalucía", no original em castelhano), uma força de esquerda nacionalista (de âmbito regional), que conseguiu oito deputados (tinha dois) e 9,6% dos votos (o dobro dos 4,58% de há quatro anos).
Elegeu ainda cinco deputados hoje a coligação de esquerda Pela Andaluzia ("Por Andalucía"), mantendo os lugares que já tinha.
Estas foram as quartas eleições autonómicas em Espanha em menos de cinco meses, depois das da Extremadura, no final de dezembro, das de Aragão, em fevereiro, e das de Castela e Leão, em abril, todas convocadas pelo PP.
O PP venceu todas estas quatro eleições, mas sem maioria absoluta, e a viabilização dos governos regionais ficou nas mãos do Vox.
As negociações entre os dois partidos deram já lugar a acordos na Extremadura e em Aragão, ao abrigo dos quais a extrema-direita voltou a entrar em dois governos em Espanha.
O candidato do PP na Andaluzia, que é também o presidente do governo regional desde janeiro de 2019, Juan Manuel Moreno (conhecido como Juanma Moreno), de perfil conservador moderado, foi um dos “barões” do partido, que lidera a oposição nacional em Espanha, a criticar os acordos assinados com a extrema-direita na Extremadura e Aragão.
Entre outros aspetos, os acordos incluem um princípio de “prioridade nacional” no acesso a serviços e apoios públicos, alinhado com o discurso anti-imigração do Vox.
Nesta campanha, Juanma Moreno tinha pedido insistentemente uma "maioria suficiente" para "evitar problemas", considerando inviável um governo de coligação com o Vox.
A Andaluzia ficou na história política recente de Espanha por ter sido nesta região que a extrema-direita (o Vox) entrou pela primeira vez num parlamento, na sequência das eleições de 2018.
Quanto ao PSOE, teve nestas eleições uma candidatura encabeçada por Maria Jesus Montero, ministra das Finanças de Pedro Sánchez entre 2018 e este ano. Era também a vice de Sánchez no Governo e continua a ser a “número dois” na direção nacional do PSOE.
O resultado das eleições não confirmou a maioria das sondagens que se publicaram durante a campanha e uma projeção divulgada hoje após o fecho das assembleias de voto pelo canal de televisão pública Canal Sur, que davam a maioria absoluta para o PP como certa.