Irão: Mais de 40 países incluindo Portugal pedem "reabertura imediata e incondicional" do Estreito de Ormuz
Apenas alguns navios - essencialmente iranianos, dos Emirados Árabes Unidos, indianos, chineses e sauditas - continuam a transitar diariamente pelo estreito.
Mais de 40 países, incluindo Portugal, apelaram esta quinta-feira à "reabertura imediata e incondicional" do Estreito de Ormuz, ameaçando o Irão com novas sanções, segundo a ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, que presidiu a uma reunião internacional dedicada ao assunto.
"O Irão está a tentar fazer refém a economia mundial no Estreito de Ormuz. Não pode levar a melhor. Para tal, os parceiros apelaram hoje à reabertura imediata e incondicional do estreito e ao respeito pelos princípios fundamentais da liberdade de navegação e do direito do mar", declarou Yvette Cooper num comunicado final do encontro.
Os países concordaram em "explorar medidas económicas e políticas coordenadas, tais como sanções, para pressionar o Irão caso o estreito permaneça fechado", acrescentou após a reunião, convocada pelo Reino Unido e que juntou mais de 40 países incluindo Portugal, representado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
Os países também concordaram em "aumentar a pressão diplomática" sobre o Irão.
Este bloqueio é uma "ameaça direta à prosperidade mundial", sublinhou a chefe da diplomacia britânica.
A quase total paralisia do tráfego no Estreito de Ormuz, por onde transita normalmente um quinto da produção mundial de petróleo, bem como de gás natural liquefeito e fertilizantes, está a ter um impacto económico mundial e provocou um forte aumento do preço dos produtos petrolíferos.
Na próxima semana, Londres vai organizar a uma reunião ao nível de "planeadores militares" a fim de examinar as opções para tornar o Estreito de Ormuz acessível e seguro à navegação após o fim das hostilidades.
Apenas alguns navios - essencialmente iranianos, dos Emirados Árabes Unidos, indianos, chineses e sauditas - continuam a transitar diariamente pelo estreito.
Desde o início de março, 225 navios de transporte de mercadorias passaram pelo estreito, segundo a empresa de análise marítima Kpler, o que representa uma queda de 93% relativamente à situação em tempo de paz.
O Irão, que controla a costa norte do Estreito de Ormuz, tem bloqueado este ponto crucial para o comércio global de energia em resposta à ofensiva de grande escala de Israel e dos Estados Unidos, lançada em 28 de fevereiro.