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Exames continuam a ser corrigidos esta quinta-feira e problemas na plataforma persistem

LusaMarta Rodrigues 16 de julho de 2026 às 09:40

É mais um prazo falhado, em que a maioria das provas por corrigir são de português e matemática. Continuam os relatos de bloqueios da plataforma de correção e de falta de folhas de continuação.

Ainda há professores a corrigir exames nacionais esta quinta-feira, um dia depois do prazo ter terminado. Há relatos de centenas de itens atribuídos a docentes ao fim do dia de ontem. A afixação de resultados mantém-se para sexta-feira, mas o Movimento Missão Escola Pública (MEP) receia que o objetivo fique comprometido. 

Exames nacionais envoltos em polémica Ricardo Ponte

À Lusa, Cristina Mota, porta-voz do movimento Missão Escola Pública (MEP), indicou conhecer relatos de colegas que receberam na quarta-feira à noite itens para classificar e que, por isso, não iam terminar essa classificação até às 00:00, o prazo para concluir o processo de classificação dos cerca de 300 mil exames nacionais do ensino secundário.

"Entendemos que esse não é o problema. Não existe e não deverá existir uma guilhotina sobre a cabeça de Fernando Alexandre", ministro da Educação, sublinhou a porta-voz do MEP à Lusa, defendendo que a classificação deve decorrer "de forma a se garantir o rigor de todo o processo".

Cristina Mota realçou que "efetivamente o processo não vai estar concluído agora à meia-noite [de quinta-feira]" e que os relatos dizem sobretudo respeito às provas de português e matemática.

Relatou ainda que o movimento recebeu um 'print' das 21:00 de quarta-feira, em que um professor tinha recebido 70 itens para classificar.

"Temos inclusive informação de colegas que acabaram de receber os itens e que se depararam com aqueles constrangimentos que já têm vindo a ser reportados, a ausência de folhas de continuação ou folhas com caligrafia diferente", detalhou.

"Acreditamos que durante o dia de amanhã (quinta-feira) ainda vai decorrer a classificação e a necessidade da correção de alguns itens", acrescentou.

A agência Lusa procurou obter uma reação do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) mas não foi possível até ao momento.

Pela primeira vez este ano, os exames nacionais do ensino secundário estão a ser corrigidos em formato digital, mas o processo tem registado falhas técnicas desde o início e, devido aos constrangimentos, o MECI adiou os prazos inicialmente previstos.

Na quarta-feira de manhã, o ministro Fernando Alexandre revelou que 99% das respostas dos exames nacionais do ensino secundário estão corrigidas e que na sexta-feira serão publicadas "todas as avaliações com rigor e transparência".

Resultados na sexta-feira podem ficar comprometidos

Cristina Mota apontou ainda que o movimento coloca a hipótese de na sexta-feira as pautas divulgadas não conterem todas as classificações.

"Embora os professores estejam a fazer de tudo para conseguirem cumprir a tarefa que lhe foi atribuída, não podem colocar o rigor por cima de qualquer outro objetivo, seja ele político, seja de preservação de imagem. O rigor da classificação dos alunos é o mais importante", concluiu.

Também Pedro Brito, do movimento MetaPROF, referiu à Lusa na quarta-feira à noite que continuava a receber alguns testemunhos de professores que relatavam terem sido chamados de emergência para classificar itens.

Pedro Brito explicou ainda que o movimento estava a reorientar todos os recursos para "mais um projeto dentro do MetaPROF", que envolve a recolha de testemunhos de alunos e as suas famílias sobre o processo.

"Começamos há cerca de uma semana a recolher os testemunhos (...) que têm a ver com o seu estado de alma, das famílias e alunos", referiu.

O MetaPROF divulgou também na quarta-feira um comunicado em reação às declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que considerou existir "alguma resistência" por parte dos professores à digitalização dos processos.

"A acusação de 'resistência ao digital' é o recurso retórico habitual, proferido em momentos de manifesto desespero político, por quem resiste obstinadamente a compreender o que é, na sua essência, a profissão docente. Trata-se de uma narrativa vã, destituída de valor e fundamento, perante a evidência da realidade e da história recente das escolas portuguesas. Os professores não rejeitam as mudanças operadas pela tecnologia; opõem-se, sim, ao caos procedimental, à injustiça pedagógica e à ausência de rigor técnico que têm marcado este processo", refere o comunicado.

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