José Sócrates ou a Arte de Prescrever
Há países onde a justiça é cega. Em Portugal, no caso de José Sócrates, é sobretudo paciente. Paciente ao ponto de já roçar o estoicismo. Ou a resignação. Na verdade, é mais o mosoquismo.
Há países onde a justiça é cega. Em Portugal, no caso de José Sócrates, é sobretudo paciente. Paciente ao ponto de já roçar o estoicismo. Ou a resignação. Na verdade, é mais o mosoquismo.
A dinâmica processual da Operação Marquês passou a depender de um mecanismo previsível, assente na substituição sucessiva de advogados, em que cada nova entrada exige um período de preparação que consome meses de calendário judicial. A legislação vigente não estabelece limites para este ciclo.
Por forma a evitar manobras dilatórias.
Choque político com o comportamento de José Sócrates? Não se vê. Poder e oposição, partidos em geral e protagonistas em particular não têm um discurso, uma posição, sobre o mais extraordinário caso judicial deste século em Portugal.
Se os advogados de defesa de José Sócrates renunciarem sucessivamente, eternizando o processo neste limbo, não há muito que se possa fazer. Parece mesmo ser um labirinto sem saída e de difícil explicação à opinião pública
A nomeação do ex-diretor-nacional da PJ para ministro da Administração Interna é uma grande carta de Montenegro, mas levanta muitas questões sérias.
A discussão sobre a corrupção em Portugal balança entre a gritaria ensurdecedora e o silêncio sepulcral.
Foram detidas 37 pessoas na operação que visava membros de grupos extremistas, a maior parte deles são membros do Grupo 1143.
Em causa estão averiguações preventivas como aquelas de que foram alvo, em 2025, Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos.
Só é instaurado inquérito se da notícia, ainda que anónima, constarem factos concretos, minimamente delimitados no tempo, no espaço, nos protagonistas e na conduta, que permitam extrair indícios da prática de um crime.
O caso Spinumviva morreu. A Spinumviva ela própria continua viva e de saúde.
A defesa de António Costa pediu esta quarta-feira, mais uma vez, que o MP clarifique as escutas feitas ao ex-primeiro-ministro e esclareça a fuga de informação de um processo que está em segredo de justiça.
São perto de 50 as comunicações de António Costa intercetadas. O ex-presidente do Supremo alertou para riscos de escrutínio da ação política pela justiça, mas outra decisão deste tribunal validou a manutenção das conversas num processo que escutou mais de 20 pessoas, apanhando na rede desabafos, cunhas, a gestão do governo e do PS.
Ex-presidente do Brasil já iniciou o cumprimento dos 27 anos e três meses a que foi condenado.
Sirvam ao menos para isto estas efemérides: pôr o foco sobre o tema, fazer o levantamento das insuficiências e incorreções e, se possível, apontar caminhos de superação. Tratando-se de Corrupção, cujo Dia Internacional agora se celebra, por mais que queiramos afivelar a máscara de “português suave” acabaremos por concluir que a situação não é brilhante. Bem longe disso!
Resta agora definir o local onde o antigo presidente brasileiro ficará preso.