Sábado – Pense por si

Um soldado prepara um ataque com drone junto à fronteira com Donetsk
Tiago Carrasco

Guerra 2.0 - O futuro está a ser traçado na Ucrânia

Reportagem na Ucrânia: os ucranianos pretendem matar 50 mil soldados russos por mês. Para isso, confiam em robôs de combate e em novos drones operados através de IA. Moscovo responde com força bruta: enxames de drones assassinos e mísseis balísticos atingem Kiev. A guerra está num ponto de viragem.

O fim do bipartidarismo na Velha Albion

A "guerra civil" no Partido Trabalhista pode significar o fim definitivo do bipartidarismo no Reino Unido. Mas quer dizer muito mais: deixou de ser possível governar ao centro e pode ser impossível impedir que quem beneficie do disparate do Brexit seja quem o tenha promovido. Ainda falta muito tempo para terminar a legislatura do Labour, mas talvez seja tarde para evitar o pior.

Como a Ucrânia tornou-se uma potência e ninguém percebeu?

A superioridade ucraniana começou a surgir não na linha da frente, eternamente congelada, mas na profundidade. Refinarias russas, depósitos de combustível, cruzamentos ferroviários, aeródromos e fábricas passaram a ser atingidos por uma combinação de drones baratos, inteligência artificial e mísseis de longo alcance.

As três coisas que estão longe de acontecer

A invasão de Putin está longe de parar: o presidente da Rússia não quer "só o Donbass". Quer toda a Ucrânia. Faz da agressão sobre Kiev, em capa de expansão neoimperialista, a sobrevivência do seu modo de liderar. Recuar seria admitir o erro. E, no Kremlin, o poder afirma-se de forma vertical. Sem hesitações. A sangue frio, para que eventuais críticos ou opositores não acreditem em alternativas. Não percebermos isso é não percebermos nada.

É o fim do mundo como o conhecemos!

O avanço simultâneo de anexações encapotadas e de intervenções militares unilaterais faz de “It’s the End of the World as We Know It” uma descrição amarga de uma ordem internacional que se desfaz e cede, pouco a pouco, à lei do mais forte.

A Ucrânia não ficará sozinha

Zelensky vê na integração na UE uma espécie de garantia de segurança, ainda que não compense a não entrada na NATO. É possível sonhar com um cessar-fogo capaz de evitar uma futura terceira invasão russa da Ucrânia (agora para Odessa e talvez Kiev, rumo às paredes da frente Leste da UE)? Nunca num cenário de concessão do resto do Donbass. O invadido a oferecer, pela negociação, ao invasor o que este não foi capaz de conquistar no terreno? Não pode ser. Aberração diplomática que o fraco mediador Trump tenta impor aos ucranianos.

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