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Ventura diz que Neves não tem condições para continuar e pede intervenção de Seguro

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André Ventura defendeu que o Governo "está a ser arrastado para uma situação inexplicável" e exigiu a Montenegro que tome "uma decisão".

O líder do Chega, André Ventura, considerou esta quarta-feira que o ministro da Administração Interna não tem "nenhumas condições" para continuar a integrar o Governo e pediu ao Presidente da República, António José Seguro, que intervenha.

André Ventura fala em conferência de imprensa
André Ventura fala em conferência de imprensa Eduardo Costa

Esta posição foi transmitida pelo presidente do Chega, em declarações aos jornalistas na sede do partido, logo após a conferência de imprensa de Luís Neves sobre as polémicas em que tem estado envolvido, que Ventura classificou como uma "das mais sofríveis para a democracia".

"Acho que nessas condições não é preciso que eu diga mais nada ao primeiro-ministro, que não isto: se quer ainda salvar a decência das instituições, tem que tomar uma decisão", afirmou, pedindo a Luís Montenegro que não tenha "medo de nenhum poder".

André Ventura defendeu que o Governo "está a ser arrastado para uma situação inexplicável" e exigiu a Montenegro que tome "uma decisão".

O presidente do Chega considerou também que não há necessidade de se reunir com o primeiro-ministro, como fez o secretário-geral do PS.

"Acho que não preciso de nenhuma reunião para lhe dizer o óbvio, que este ministro não tem nenhumas condições para continuar e penso que, se continuar, vai continuar a destruir a imagem do Estado", alertou.

André Ventura defendeu igualmente que "está achegar o tempo em que o Presidente da República tem de ter" uma "palavra de determinação num cenário que é desprestígio absoluto da democracia".

"Apelo hoje a que o senhor Presidente da República diga alguma coisa sobre isto, ou com o próprio, ou ao país, porque acho que este clima não interessa a ninguém", salientou.

Ventura não ficou satisfeito com as explicações dadas por Luís Neves e defendeu que continua a justificar-se a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito sobre os seus mandatos enquanto diretor-nacional da Polícia Judiciária, acusando o ministro de ter cometido ilegalidades.

O líder do Chega acusou o ministro da Administração Interna, anteriormente diretor nacional da Polícia Judiciária, de «impunidade e soberba» e de falar «sobre coisas graves e sérias de forma absolutamente rudimentar, autoritária, respondendo ao que queria e não ao que era perguntado» e também de passar culpas.

Quanto ao atrelado com produtos químicos que esteve guardado em instalações da empresa que fez obras na PJ e também em casa do ministro, o presidente do Chega assinalou que se tratava de «um material que, segundo o próprio ministro, era muito caro destruir por duas razões, pela sua dimensão e quantidade».

E questionou a decisão, que Luís Neves disse ter sido sua, de transferir o atrelado para Barcelos, considerando que se tratou de «um enorme risco para a segurança pública» por ser «um material perigoso, que era muito caro destruir» mas que «ficou na rua, à frente de todos, com perigo real para as pessoas durante não se sabe quanto tempo».

Sobre a entrega das declarações de rendimentos, André Ventura defendeu que «os candidatos a Presidente da República têm que o fazer, os primeiros-ministros têm que o fazer, os líderes da oposição têm que os fazer, não há razão nenhuma para que outro titular não o tenha que fazer».

O presidente do Chega admitiu igualmente ter-se enganado na primeira avaliação que fez de Luís Neves quando este foi escolhido para integrar o Governo.

«Quando o Luís Neves foi nomeado, o Chega teve uma reação dizendo que parecia ser uma escolha acertada, que agora era importante que trabalhasse no bom caminho. Pedro Passos Coelho alertou nesse dia, ou no dia a seguir, que era um procedente errado e grave alguém passar de um órgão de investigação criminal, ainda por cima órgão que tem que investigar casos de políticos e de governantes, etc., e que tinha tido nas mãos o caso do primeiro-ministro para ministro da Administração Interna. Eu não vi isso nessa altura, se fosse hoje, sabendo o que sei hoje, também diria isso», indicou.