"Uma rapariga disse-me que foi assediada por um deputado do Bloco"

'Uma rapariga disse-me que foi assediada por um deputado do Bloco'
Diogo Barreto 01 de junho

Patrícia denunciou ter sido alvo de assédio dentro do partido e o relato fez com que fosse alvo de mais assédio. À SÁBADO revela um pouco mais sobre o obscuro mundo do assédio dentro do Bloco de Esquerda.

Patrícia tem 22 anos e está a tirar o mestrado em Economia Política. Durante cerca de um ano foi militante do Bloco de Esquerda porque queria entrar na vida partidária ativa para ajudar à mudança da sociedade. Os primeiros meses dentro do partido foram de luta e de discussões estimulantes, mas não tardou a descobrir que os assédios morais e sexuais que testemunha desde a adolescência se começassem a revelar dentro da estrutura partidária. Decidiu apresentar uma queixa de stalking contra um dos funcionários do partido e em resposta foi alvo de mais assédio. Mas também recebeu uma denúncia de uma rapariga que diz ter sido vítima de assédio sexual por parte de um deputado.

Em entrevista à SÁBADO, Patrícia diz que as sucessivas tentativas de assédio a fragilizaram mentalmente e levaram a que perdesse amigos e até questionar se seria ela que estava errada e tinha feito algo que justificasse o assédio.

Acabou por sair do partido em que militou pela primeira vez, desiludida por ninguém ter vindo falar com ela quando denunciou o assédio que sofreu, mas diz que não voltaria atrás, porque é essencial contar a experiência pela qual passam "quase todas as mulheres". E espera que Portugal tenha direito a um MeToo mais abrangente do que o dos Estados Unidos. 
 

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