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PSD/Congresso: Partido reúne-se em Anadia sem eleições à vista nem polémicas anunciadas

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Luís Montenegro deverá ser reeleito.

O PSD reúne-se sábado e domingo em Congresso, numa reunião sem polémicas anunciadas e que deverá servir para o reeleito presidente e primeiro-ministro Luís Montenegro fazer um balanço e perspetivar a segunda fase da legislatura.

Luís Montenegro, líder do PSD e do Governo
Luís Montenegro, líder do PSD e do Governo Marius Burgelman/AP

Montenegro é líder do PSD há quatro anos - desde 28 de maio de 2022 - e primeiro-ministro há dois (embora em dois executivos), e tem considerado que "se houver maturidade política" há condições para levar até ao fim a legislatura que só termina em 2029, ainda que com um executivo PSD/CDS-PP minoritário e com acordos parlamentares variáveis.

"Todos os congressos do PSD têm marcado a política quando acontecem. Este será um congresso mobilizador do partido, é um encerramento de ciclo e abertura de outro na direção", sintetiza à Lusa Hugo Soares, secretário-geral, líder parlamentar e "número dois" do partido.

Da reunião magna que se realiza em Anadia (distrito de Aveiro), o dirigente social-democrata espera "debate de ideias", apontando para a pluralidade das 18 propostas temáticas a debate, mas sobretudo "mobilização e galvanização" para a restante legislatura.

O Congresso acontece no rescaldo da discussão e votação da proposta de lei do Governo do Código do Trabalho -- que deverá avançar para a fase da especialidade com os votos do Chega -, que o primeiro-ministro tem classificado como decisiva para colocar Portugal a crescer mais.

Na moção de estratégia com que foi eleito, Montenegro reafirma uma equidistância em relação aos dois principais partidos da oposição -- Chega e PS -, mas os últimos entendimentos do Governo foram feitos com o partido liderado por André Ventura (está em vias de se concretizar outro na Prestação Social Única, depois de vários na imigração), existindo ainda um compromisso entre PSD e Chega para o calendário de arranque da revisão constitucional no próximo ano.

Nos últimos dias, quer o primeiro-ministro, quer Hugo Soares quer o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, apontaram ao PS a responsabilidade pela falta de entendimentos do Governo com os socialistas, classificando o partido liderado por José Luís Carneiro como "uma força de bloqueio à governação".

"O mandato que o povo deu ao PSD e à AD foi governar, e governar significa dialogar com quem quer dialogar", justificou Hugo Soares, na quinta-feira.

Em Anadia, não são de esperar críticas organizadas, mas há algumas sombras internas, como as intervenções dos últimos meses do antigo líder Pedro Passos Coelho -- que, apesar dos reptos para explicitar no congresso os seus reparos, não marcará presença - ou a posição do PSD nas sondagens (tem surgido atrás do PS e, num caso, também do Chega).

Num Conselho Nacional no início de março, o presidente do PSD surpreendeu o partido ao anunciar que iria propor a realização de diretas em maio (em vez de em setembro, como em 2024), de forma a coincidirem com os quatro anos da sua primeira eleição.

Montenegro desafiou então quem tivesse um "caminho diferente e alternativo" a apresentar-se, no que foi interpretado como uma resposta a Pedro Passos Coelho, que, dias depois, respondia não ser "candidato a coisíssima nenhuma" e que, se um dia o vier a ser, será apenas por um "imperativo de consciência".

As críticas do antigo primeiro-ministro continuaram e até subiram de tom: sem explicitar a quem se dirigia, comparou os "políticos postiços", que querem agradar a todos ainda mais do que os populistas, a "prostitutos sem caráter", além de apontar falta de ritmo à atividade governativa, numa iniciativa pública em que esteve ao lado do líder do Chega.

A esta última, Montenegro respondeu dizendo que o Governo PSD/CDS-PP "tem o seu ritmo" e é um "corredor de fundo".

Com o congresso marcado para o Velódromo de Sangalhos e em pleno Mundial de futebol -- na segunda-feira o primeiro-ministro partirá para uma viagem aos Estados Unidos, onde verá ao vivo o segundo jogo da seleção -, são de esperar várias metáforas desportivas e não são de excluir presenças inesperadas, no que tem sido uma marca das lideranças de Luís Montenegro.

No Congresso de Braga, o elemento surpresa foi a presença de Luís Marques Mendes, que depois viria a ser candidato presidencial, e no anterior, em Almada, a de Aníbal Cavaco Silva.

Reeleito a 30 de maio por quase 95% dos votos para um terceiro mandato de dois anos (mas como o menor número de votos de sempre em diretas), o Congresso servirá também para Montenegro refrescar os órgãos nacionais do partido.

Apesar de o líder do PSD reservar sempre as suas escolhas até ao fim, são esperadas mudanças ao nível da Comissão Política Nacional, podendo haver uma menor presença de membros do Governo (no último Congresso os ministros deixaram de ser vice-presidentes e passaram a vogais) e um reforço de autarcas fortes do partido no núcleo duro.

Já prometida está uma lista alternativa ao Conselho Nacional, encabeçada por André Pardal e que junta duas listas habitualmente concorrentes (a sua e a de Luís Rodrigues), que diz não ser de oposição mas de "consciência crítica" do partido".

Segundo a direção, estão inscritos no Congresso 906 delegados e 297 participantes, mais cerca de sete centenas de observadores.