Eurico Brilhante Dias argumentou que os projetos de resolução que o PS tem apresentado com recomendações ao Governo "são a eficácia possível dos partidos da oposição" para o ano orçamental em curso.
O líder parlamentar do PS acusou este domingo o Chega de ajudar o Governo ao apresentar projetos de lei para reduzir o IVA de combustíveis e aplicar IVA zero aos bens alimentares essenciais que apenas têm efeitos em janeiro.
Eurico Brilhante Dias criticou o ChegaLusa
Em conferência de imprensa, na sede nacional do PS, em Lisboa, Eurico Brilhante Dias defendeu que essas medidas não podem esperar porque "os portugueses não vão aguentar até janeiro" e argumentou que os projetos de resolução que o PS tem apresentado com recomendações ao Governo "são a eficácia possível dos partidos da oposição" para o ano orçamental em curso.
O líder parlamentar do PS não quis anunciar, para já, como é o seu partido vai votar os projetos de lei do Chega, no dia 24 de setembro, e não excluiu a possibilidade de, em sede orçamental, vir a aprovar alterações ao IVA dos combustíveis e bens alimentares para 2027 -- se até lá o Governo PSD/CDS-PP nada fizer nesta matéria.
"Os portugueses não aguentam e não vão aguentar até janeiro. E é por isso que o Governo, e dizemos daqui que é importante que o Governo tenha essa consciência. Os portugueses não vão esperar por janeiro. Os portugueses precisam de ajuda nos combustíveis e no cabaz alimentar hoje. E hoje já é tarde", afirmou.
PS e Chega têm trocado acusações sobre quem tem tido as iniciativas preponderantes para reduzir temporariamente o IVA dos combustíveis de 23% para 13% e aplicar IVA zero ao cabaz de bens alimentares essenciais, no atual contexto de aumento de preços. O Chega inviabilizou projetos de resolução do PS com recomendações ao Governo, e o PS inviabilizou projetos de lei do Chega.
Na conferência de imprensa de hoje, Eurico Brilhante Dias devolveu ao presidente do Chega, André Ventura, a acusação de faltar à verdade sobre esta matéria e declarou que nesta altura "os projetos de lei não têm impacto nenhum na vida das pessoas até 2027" devido à norma-travão da Constituição.
"Os portugueses têm que perceber que, depois de aprovado o Orçamento e da sua entrada em vigor, os partidos da oposição no Parlamento não podem diminuir receita ou aumentar despesa. Portanto, nada do que o Parlamento faça, desde esse ponto de vista, tem impacto na vida dos portugueses em 2026", referiu.
Por isso, argumentou, "o projeto de resolução é um instrumento possível que os partidos da oposição têm para dizer ao Governo o que deve fazer quando a própria Assembleia está limitada na sua iniciativa orçamental".
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