Sábado – Pense por si

Miriam Assor
Miriam Assor
30 de outubro de 2026 às 07:00

Eleições no plural

Árabes israelitas são os árabes e os seus descendentes que permaneceram nas fronteiras de Israel após 1948. Têm cidadania israelita plena, direito de voto e os seus próprios partidos políticos com representação parlamentar.

A essência de uma democracia não é medida pela ausência de tensões, mas pela igualdade de direitos no momento mais sagrado de uma nação: o voto. Nas recentes eleições legislativas, o estado de Israel testemunhou um acontecimento histórico e incontestável. A minoria árabe-israelita, que representa cerca de 20% da população do país, teve uma participação recorde estimada em 80% e conquistou um número inédito de 19 assentos no Knesset.

Este resultado da rotina democrática é uma resposta bofetada directa a quem simplifica a complexa realidade do Médio Oriente e analisa-a através da janela fechada; veem árabes no parlamento israelita para a fotografia. Burros com microfone e caneta. Ao contrário do cenário regional marcado por regimes autoritários e ausência de liberdades civis, os cidadãos árabes israelitas exerceram plenamente os seus direitos políticos. A maravilha maravilhosa só é possível, apenas possível e unicamente possível porque Israel é uma democracia real, e essa verdade faz traumatismo aos crânios que se julgam entendidos na matéria, aliás, em variadíssimas matérias, e entendem zero do nervo que importa. Sem exceções, com guerra ou sem guerra, com Benjamin Netanyahu ou Gadi Eisenkot, direita, esquerda, religioso e laico, o sistema democrático israelita mantém as portas abertas a todos os seus cidadãos, e pauta-selogicamente na inexistência de distinção de etnia ou confissão religiosa. Permitir que uma minoria política — que muitas vezes aplaude, e com as duas mãos, acções contra a segurança do estado, — vote livremente, se organize em partidos e eleja uma bancada histórica, é a maior prova de resiliência das instituições de Israel. Numa altura em que a desinformação canibal tenta manchar a imagem do país, a realidade das urnas impõe-se: em Israel, desde as primeiras eleições oficiais, 25 de janeiro de 1949, o poder do voto pertence ao povo — a todo ele.

Nunca é pouco avivar a memória dos amnésicos a Declaração de Independência de Israel, em maio de 1948, estabeleceu a igualdade de direitos sociais e políticos para todos os seus cidadãos, independentemente de religião ou etnia. Só poderia ser assim. Com base nesse ouro, as primeiras eleições para a Assembleia Constituinte (que depois se tornaria a Knesset, o parlamento israelita) foram conduzidas sob sufrágio universal.

Árabes israelitas são os árabes e os seus descendentes que permaneceram nas fronteiras de Israel após 1948. Têm cidadania israelita plena, direito de voto e os seus próprios partidos políticos com representação parlamentar.

Os Palestinianos dos Territórios Palestinianos (Cisjordânia e Faixa de Gaza), não são israelitas e não votam nas eleições de Israel. Dobram o boletim para a Autoridade Palestiniana.  A última vez, na chamada eleitoral para as Presidenciais, em janeiro de 2005,  Mahmoud Abbas foi eleito para um mandato de quatro anos. Desde então, goodbye Maria Ivone. Fácil a conta, Abbas permanece no poder há 21 anos. Há duas décadas que o povo não escolhe nenhum presidente.

Nas eleições legislativas, também em Janeiro, do ano seguinte, em 2006, a contagem deu a vitória ao Hamas, e nunca mais a vontade popular, que já era minúscula ou quase nula,  existiu, sequer, na sombra.

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