Apesar de discordar de muitas das afirmações do ex-primeiro-ministro sobre a falta de reformismo do executivo, o ministro das Infraestruturas e Habitação encontra "um caráter mais benévolo" nas suas palavras.
O ministro e dirigente do PSD Miguel Pinto Luz defendeu que nem o país nem o Governo se podem "dar ao luxo" de deixar de ouvir senadores como Pedro Passos Coelho, mesmo discordando da sua visão.
Miguel Pinto Luz, ministro da Habitação e das InfraestruturasJoão Cortesão / Jornal de Negócios
Em entrevista ao programa "Política com Assinatura", da Antena 1, esta terça-feira divulgada, o ministro das Infraestruturas e Habitação foi questionado sobre as críticas recorrentes de Passos Coelho ao Governo, salientando que, apesar de discordar de muitas das suas afirmações sobre a falta de reformismo do executivo, encontra "um caráter mais benévolo" nas suas palavras.
"Vejo em Passos Coelho uma vontade incessante de reformar, de fazer mais e, portanto, quer que os seus, aqueles que fizeram caminho consigo, que estiveram ao seu lado há dez anos atrás num momento difícil da nossa história, possam fazer ainda mais. E é positivo. Acho que o país deve-se habituar a lidar bem com estes senadores", afirmou.
Alertando que na democracia portuguesa não abundam estes senadores - compara as intervenções de Passos às de de Mário Soares para com os vários líderes do PS no passado -, Pinto Luz deixou um apelo.
"Não convém nós nos darmos ao luxo de deixar de ouvir aqueles que já muito deram ao país e muito têm para dar, naturalmente (...) Fala com o direito que lhe concede o facto de ter dado muito a este país. E o PSD respeita-o muito e o país respeita-o muito. E, portanto, nós não nos damos ao luxo de deixar de ouvir quem devemos ouvir", afirmou.
Ainda assim, Miguel Pinto Luz manifesta discordâncias quanto à visão de Passos Coelho sobre o atual Governo, considerando que é um executivo que "não tem medo de reformar, não tem medo de tocar com o dedo na ferida" e aponta como exemplos a sua própria pasta da Habitação ou outras áreas como a saúde, reforma do Estado ou imigração.
"Como é que eu olho para as afirmações de Passos Coelho? Primeiro, ouvi-las, escutar com atenção e perceber o que é que podemos mudar, o que é que não podemos mudar, o que é que é justo, o que é que é injusto, como Paulo Rangel dizia, ou o que é que podemos contradizer ou o que não podemos contradizer", disse.
Sobre o Congresso do PSD, que se realiza no próximo fim de semana em Anadia (distrito de Aveiro), Pinto Luz disse que o antigo líder seria "muito bem-vindo", mas remeteu para o próprio a análise se deve ir ou não falar ao partido nesse momento.
Na reta final da entrevista, Pinto Luz foi questionado se admitia recandidatar-se à liderança do PSD caso o atual presidente e primeiro-ministro decidisse não acabar a legislatura, começando por dizer que está "muito, muito contente" de fazer este percurso ao lado de Luís Montenegro e dizendo acreditar que o atual chefe do Governo poderá manter-se depois da atual legislatura, com fim previsto para 2029.
No entanto, acrescentou que "quem anda na política anda com ambição com vontade e com vontade de mudar a vida dos portugueses", admitindo continuar a ter essa ambição e vontade.
"Quando terminar este percurso farei a minha avaliação familiar, pessoal política daquilo que será o futuro. Hoje estamos ainda no início de uma longa jornada do primeiro-ministro Luís Montenegro", acrescentou.
Na mesma entrevista, recusa que o Governo esteja a privilegiar o Chega em detrimento do PS na negociação de vários diplomas, acusando este partido de estar "ziguezagueante" e dividido em "tensões internas", e recusou que os socialistas possam rejeitar, sem conhecer, o Orçamento do Estado para 2027.
"Eu não acredito que o Partido Socialista e o Dr. José Luís Carneiro possam, de uma forma ligeira, tomar decisões sobre um orçamento que nem sequer conhecem. Nem sequer colocaram regras. No último orçamento colocou um conjunto de regras que foram, como sabe, acomodadas pelo governo e daí a viabilização do orçamento", disse.
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