Perfil: Mamadou Ba, o ativista que não quer ser mártir

Perfil: Mamadou Ba, o ativista que não quer ser mártir
Sara Capelo 13 de agosto de 2020

É negro, nascido no Senegal, ativista antirracismo, bloquista. A cor da pele, admite, foi o que mais pesou nas ameaças de morte que tem recebido.


Artigo originalmente publicado a 31 de janeiro de 2019 na SÁBADO.

Indeferido. Esta foi a resposta do Estado português ao primeiro pedido de nacionalidade portuguesa feito por Mamadou Ba. A argumentação oficial: que não tinha tempo suficiente de residência em Portugal e que não tinha conhecimentos suficientes de português.

Do outro lado da linha telefónica, o ativista e político ri-se por terem sido estas as razões. Eram fracas.

Quando entregou o pedido, vivia no País há mais de uma década. Chegara, licenciado no Senegal em Língua e Cultura Portuguesa, em 1997, e com uma bolsa do Instituto Camões para fazer o mestrado (que não concluiria) na mesma área. Trabalhara nas obras durante a última fase de construção da Expo 98. Fizera o curso de Tradução e trabalhara, com uma avença, na tradução de documentos francófonos para embaixadas e empresas. Também fora contratado por ajuste direto para assessor – como acontece com todos os outros – do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Lisboa (AML). E tinha um filho de 2 anos e português.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Investigação
Opinião Ver mais