Pedro Adão e Silva ganhou 108 mil euros com comentário

Pedro Adão e Silva ganhou 108 mil euros com comentário
Maria Henrique Espada 21 de outubro

Pedro Adão e Silva, o analista, ganha bastante mais do que Pedro Adão e Silva, o comissário. Deixou o ISCTE, mas fica nos media, a par da comissão para as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril.

Pedro Adão e Silva já entregou a sua declaração de rendimentos no Tribunal Constitucional. O comissário executivo das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, nomeado em junho último pelo Governo, recusou na altura revelar quanto recebe no espaço de comentário na RTP, que vai manter, e a estação pública de televisão apenas remeteu para as tabelas da casa, sem adiantar valores. Mas a declaração permite perceber que a empresa através da qual fatura as múltiplas colaborações em órgãos de comunicação social, a Linha Justa Lda., teve em 2020 um volume de negócios de 108.642 euros, onde está incluído o que recebe da RTP (O outro lado), Expresso, TSF (Bloco Central), Sport TV e Record (do mesmo grupo da SÁBADO, a Cofina). O que fará dele, provavelmente, um dos mais bem pagos comentadores do País, pela acumulação de vários espaços.

O comissário não declara diretamente trabalho independente, uma vez que o fatura através da empresa, de que detém 70% – os outros 30% pertencem à mãe. “Não quis fazer uma unipessoal”, explica à SÁBADO, acrescentando também que achou o formulário aplicado às declarações “bastante mal feito e com várias coisas erradas”. “Eu declarei a faturação da empresa, mas não tinha de o fazer. Como isso nem é exigido, não há um verdadeiro controlo. Não se controla quanto se fatura antes e depois” da passagem por cargos públicos.

Adão e Silva tem ainda outra empresa, a Fugas Imobiliária, mas sem atividade em 2020, e de que é sócio minoritário (30%) com a mãe. A declaração refere ainda 33.479 euros auferidos em trabalho dependente, pelas funções de professor auxiliar no ISCTE, que suspendeu este ano.

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