Os erros da Covid-19: como Portugal quebrou os (maus) recordes mundiais

Os erros da Covid-19: como Portugal quebrou os (maus) recordes mundiais
Alexandre R. Malhado 20 de fevereiro

Otimismo a mais, camas previstas mas irreais, cautelas sacrificadas e contratos de pessoal a menos. Quais foram as falhas e os erros?

Em número de casos de Covid-19 e mortes diárias por milhão de habitantes, Portugal é líder. A meio de uma terceira vaga, com as agressivas variantes inglesas e sul-africanas em Portugal, somos o único país com mais de mil casos por milhão de habitantes na média da última semana, de acordo com o Our World in Data, da Universidade de Oxford. Depois da contenção da primeira vaga, com primeiro-ministro, ministra da Saúde e diretora-geral da Saúde a alertarem para a importância de "achatar o planalto" da curva de infeções, como tantas vezes repetiram, as respostas às vagas seguintes ficam marcadas por más decisões.

O deslumbramento do verão
"A partir de julho, sentimos um arrefecimento, uma descontração. Durante o verão houve avisos de uma terceira vaga e baixaram-se os braços. Houve um deslumbramento", desabafa à SÁBADO um administrador de um hospital do centro.

Dia 6 de junho, praia de Portimão. Com o fim da primeira vaga, António Costa assinalou a abertura das praias. "Saiam em segurança", disse o primeiro-ministro. A situação pandémica parecia mais controlada e o Governo preparava-se para a reabertura de quase todos os serviços, à exceção das discotecas. Um mês depois, a 8 de julho, o Presidente da República dá por terminadas as reuniões com o Infarmed. "O pior já passou", disse o Presidente do Parlamento Europeu, António Tajani, elogiando Portugal pelo "papel decisivo na história europeia". Portugal parecia quase de regresso à normalidade – apenas com o habitual distanciamento social inerente a viver em pandemia.

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